sábado, 18 de junho de 2011

Nosso corpo, local de culto

"O homem respira sempre, dormindo e acordado, e a respiração trabalha de tal forma que em geral só se torna consciente quando temos problemas com ela: falta de fôlego devido a grandes esforços, dificuldade em respirar devido a doenças, falta de ar quando em estado de choque, mas tambem grandes golfadas de ar ao ar livre, na floresta." (Hamel, 1995:216)

"A energia da respiração consiste antes de mais nada em Prana, a energia sutil que percorre canais invisiveis mas perceptíveis do corpo. O prana pode ser sentido quando ocorre uma descarga de adrenalina provocada por um susto, "descendo um frio pelas costas", ou quando uma parte do corpo "se arrepia" com uma carícia suave. Esses canais sutis são conhecidos também na acupunctura, e correm em parte directamente sob a superficie da pele, mas também no interior do corpo, ao longo da coluna vertebral, ligando os chakras uns aos outros. Através desses canais, tambem chamados de Nadis, corre o prana." (Hamel, 1995:218)



"A Respiração Prânica tem sua base na incessante vibração que sempre é evidente em toda a natureza. Tudo está em constante vibração. Não há repouso no Universo. Desde o planeta até ao átomo, tudo está em movimento e em vibração. Se um dos mais distantes átomos cessasse de vibrar, a Natureza perderia o equilíbrio. A obra do Universo é produzida pela contínua vibração, que nunca cessa." (Ramacharaca, 2000:46)

"O corpo que ocupais é como uma pequena passagem que do mar conduz à terra. Embora pareça ser sujeito às próprias leis, na realidade é sujeito ao fluxo e refluxo da maré oceânica. O grande mar da vida dilata-se e recai, e nós respondemos às suas vibrações e ao seu ritmo do grande oceano da vida; às vezes, porém, a boca da passagem parece estar impedida, e por causa disso, não podemos receber o impulso do Oceano Materno e, como consequência, manifesta-se em nós uma desarmonia." (Ramacharaca, 2000:47)

"Cada organismo possui seu próprio grau de vibração, e isso aplica-se também a todo objecto inanimado, de um grão de areia a uma montanha, e mesmo a cada planeta e a cada sol." (Hamel, 1995:146)

"O coração bate diferentemente em diferentes pessoas, porém o seu batimento indica sempre a unidade para o tempo da respiração rítmica de cada pessoa; em quem bate mais ligeiro, terá mais curta essa unidade, e em quem bate mais devagar, terá essa unidade mais prolongada." (Ramacharaca, 2000:48)

"A música e a respiração como unidade estão estreitamente ligadas ao efeito terapêutico dos sons. (...) A vivência do corpo é uma capacidade, ou melhor, um presente, diametralmente oposto à nossa educação voltada para a produção." (Hamel, 1995:215)



"Apesar disso, é necessário encontrar caminhos para se redescobrir os espaços interiores, para se perceber de forma consciente a própria respiração, para se estimular com a própria voz o que acontece em volta, para tornar o canto possivel, para se promover os movimentos respiratórios naturais, que permitem que as pessoas encontrem sua própria vibração, seu próprio som." (Hamel, 1995:215)




Exemplo de exercícios:
  (Ramacharaca, 2000:); (Hamel, 1995:230)


"Na Índia há um conhecimento secreto baseado em sons e nos vários tipos de vibração que correspondem aos niveis  de consciência... E como cada um dos nossos centros de consciência está directamente ligado a um determinado nível, é possivel em consequência disso comunicar-se com o nível de consciência correspondente através da repetição de determinados sons... Os sons básicos ou essenciais, que têm o poder inerente de estabelecer a ligação, são chamados de mantra..." (Hamel, 1995:145)

"O poder de um mantra, não importa com que materialidade e intenção, depende intimamente do estado de consciência do praticante. Um mantra não é uma onda sonora tal como descrita pela física, e também não age quando pronunciado por alguém ignorante. É verdade que um mantra pode ser acompanhado por um som físico, mas sua energia é espiritual, vem do coração, não sendo percebida pelo ouvido externo. Portanto o mantra, na verdade, não é produzido pela boca, e sim pelo espírito, e por isso tem um significado somente para os que sabem, para os iniciados." (Hamel, 1995:151)

"A tradição cristã tambem possui uma grande prática mântrica, que infelizmente, por ser cada vez mais mal compreendida e taxada de repetitiva, vai desaparecendo do exercício religioso vivo. Basta pensar na devoção católica a Maria, com suas longas preces, na oração do rosário, que permite a mais profunda introspecção, ou nas ladainhas com a frase que sempre se repete:"Nós te imploramos, ouça nossas preçes." (Hamel, 1995:155)

"Nos locais onde só se faz negócio quando o culto é um rito superficial, o mantra perdeu todo o seu poder." (Hamel, 1995:156)



BIBLIOGRAFIA:
Hamel, P. (1995) O Autoconhecimento através da música, São Paulo, Editora Cultrix

Ramacharaca, Y. (2000) A ciência da cura psíquica, São Paulo, Editora Pensamento



Postado por Sandro Coelho

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