quinta-feira, 23 de junho de 2011

FLORAIS DE BACH

 Bach concluiu que a doença era consequência de um conflito entre a alma a mente e o corpo.
Este conflito segundo ele tinha origem em dois erros primordiais – um era a desarmonia entre a alma e a personalidade; o outro, a crueldade ou a injustiça para com as outras pessoas. Bach percebeu que o conflito tinha então origem no EGO.
Embora a doença parecesse cruel para o doente, Bach achava-a benéfica pois ele achava ser possível purificar devidamente a alma do seu problema, e a partir daí, aprenderem-se as verdadeiras lições da vida.
Bach sentia portanto que médicos e doentes deveriam ir buscar em si mesmos a origem da sua doença. Ele defendia que a medicina moderna trata as consequências do mal físico, mas não a sua causa. Defendendo sempre que o materialismo era a causa-raiz da enfermidade, a qual propiciava a manifestação e o desenvolvimento da doença.
Frustrado com a medicina e convicto de que esta deveria ser mais natural, devendo manter os limites da natureza, Eduard Bach, médico inglês que teve muito êxito como médico bacteriologista, resolveu morar no campo onde descobriu que tinha sensibilidade para sentir as energias transmitidas pelas plantas através do toque ou por colocar na boca as gotas de orvalho que repousava sobre elas.
Constatou que algumas plantas tinham a capacidade de provocar sentimentos negativos ou de anulá-los.
Entre 1930 e 1934 o Dr. Bach identificou 38 flores silvestres que compõem o sistema floral de Bach. O Dr. Bach dizia “o medicamento tem que actuar sobre as causas e não sobre os efeitos, corrigindo o desequilibro emocional no campo energético”.
Agindo no campo mais subtil da pessoa a terapia floral tem o seu efeito reconhecido em 1976 pela Organização Mundial da Saúde, constituindo-se em grande ajuda para a humanidade nestes momentos de transição, auxiliando a harmonização dos corpos (eléctricos, mental e emocional) e facilitando o livre fluxo das energias superiores da personalidade. Lembrando ainda a vocação preventiva, podemos afirmar que se os usássemos constantemente, mantendo sempre activa a nossa busca de autoconhecimento e travando contacto cada vez maior com nosso material psíquico reprimido, não precisaríamos somatizar, ou seja, adoecer.
Podemos considerar os florais de Bach como remédios homeopáticos, até certo ponto. As essências têm o seu preparo segundo o método homeopático: são “Potencializadas na diluição”; entretanto, surtem efeitos “opostos na acção”. Partindo do princípio que a homeopatia se baseia nas “leis dos semelhantes” ou seja “o semelhante cura o semelhante”, por exemplo: no caso de envenenamento por arsénico, seria prescrito ao paciente arsénico homeopático, a fim de ajudar o organismo a eliminar o veneno.
O intuito de Bach com o uso dos florais era de que o ser humano assimilasse conhecimento suficiente a respeito dos florais para ter a seu alcance um método simples de auto-ajuda, que fosse útil também a familiares e amigos.

Bibliografia: “Aplicações práticas dos florais de Bach” de Dr.ª Jessica Bear e Dr. Wagner Bellucco 

Postado por: Ana Margarida Lourenço

domingo, 19 de junho de 2011

Constelações Familiares

As Constelações Familiares baseiam-se na Abordagem Sistémica e Fenomenológica desenvolvida por Bert Hellinger, teólogo, filósofo e psicoterapeuta alemão. Segundo Matos (2007), “Por sistema entende-se o conjunto de elementos/pessoas que estão reunidas ou interligadas de forma organizada e articulada numa contínua relação de mudança. Essa interacção é dinâmica e quando relacionada entre si tem um objectivo em comum.” A mesma autora refere que a pessoas que estão reunidas com o mesmo objectivo, ou pertencem a um grupo, é frequente associar-se a palavra alma (a alma do grupo, a alma de um clube, a alma de um povo, etc.).

Podemos tomar como exemplo de sistemas, a família, a equipa de trabalho, os amigos da escola, as pessoas da mesma nacionalidade, os que têm a mesma religião.

A alma representa a união de tudo o que é, e tem necessidade que todos façam parte dela (Matos, 2007). A alma assemelha-se a um organismo, cujo funcionamento só é eficiente quando cada uma das suas partes desempenha o seu devido papel, estabelecendo uma relação de interdependência com todas as outras partes. “Os sistemas vivos são tão complexos que o seu conjunto é mais do que a soma de todas as partes e funções. Esse algo mais que une, faz a ligação, interacção e dá sentido de pertença, poderemos chamar de alma” (Matos, 2007).

“A alma é um termo que deriva do latim anima, e refere-se ao princípio que dá movimento ao que é vivo, o que é animado ou o que faz mover” (Matos, 2007).

No sistema familiar, a alma representa uma consciência de clã, uma instância comum e superior a qual determina o caminho da família. “ (…) essa instância superior actua quase como um comando interior (consciência) partilhado por todos, e que actua de modo amplamente inconsciente. Portanto, é preciso garantir a pertença partilhando os valores explícitos ou não à família.” A alma da família obedece às ordens do amor, que são forças dinâmicas e articuladas que ligam os membros de um sistema e que os fazem pertencer ao mesmo. Essas ordens do amor referem-se a três princípios norteadores:

  1.  A necessidade de pertencer ao grupo.
  2. A necessidade de equilíbrio entre o dar e o receber nos relacionamentos.
  3. A necessidade de hierarquia dentro do grupo.

Percebemos a desordem dessas forças sob forma de sofrimento e/ou doença. A cura possível é a cura através do coração, ou seja, “ (…) concentrar-se na sabedoria e na energia que emanam subtilmente do coração e não apenas as manipulações e técnicas inventadas pelo cérebro” (Matos, 2007).

 Desta forma podemos observar duas situações importantes que causam danos na alma e que lhe tiram a “vida”. Algum acontecimento importante que ocorre e que cria um impacto na dinâmica de família (morte prematura e súbita de um dos progenitores; separação da criança de um ou dos dois progenitores, por causas diversas; acidentes ou tragédias, perda de filhos, por aborto ou natimortos, entre várias outras). O desrespeito das ordens do amor (ordem do amor na relação do casal, ordens do amor entre pais e filhos) (Matos, 2007).

Assim, “ A proposta das Constelações Familiares consiste em trabalhar com a alma da família, unindo as forças que forma separadas e restaurando os danos que possam ter ocorrido a fim de que a pessoa possa estar em paz, harmonia e equilíbrio” (Matos, 2007). A mesma autora defende que “Qualquer sistema humano busca um equilíbrio entre duas forças opostas. A estabilidade (...) e o crescimento.” Ambos contribuem para a permanência e pertença dos elementos/pessoas ao sistema.

Postado por Valériya Kalyuga

Bibliografia:
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sábado, 18 de junho de 2011

Nosso corpo, local de culto

"O homem respira sempre, dormindo e acordado, e a respiração trabalha de tal forma que em geral só se torna consciente quando temos problemas com ela: falta de fôlego devido a grandes esforços, dificuldade em respirar devido a doenças, falta de ar quando em estado de choque, mas tambem grandes golfadas de ar ao ar livre, na floresta." (Hamel, 1995:216)

"A energia da respiração consiste antes de mais nada em Prana, a energia sutil que percorre canais invisiveis mas perceptíveis do corpo. O prana pode ser sentido quando ocorre uma descarga de adrenalina provocada por um susto, "descendo um frio pelas costas", ou quando uma parte do corpo "se arrepia" com uma carícia suave. Esses canais sutis são conhecidos também na acupunctura, e correm em parte directamente sob a superficie da pele, mas também no interior do corpo, ao longo da coluna vertebral, ligando os chakras uns aos outros. Através desses canais, tambem chamados de Nadis, corre o prana." (Hamel, 1995:218)



"A Respiração Prânica tem sua base na incessante vibração que sempre é evidente em toda a natureza. Tudo está em constante vibração. Não há repouso no Universo. Desde o planeta até ao átomo, tudo está em movimento e em vibração. Se um dos mais distantes átomos cessasse de vibrar, a Natureza perderia o equilíbrio. A obra do Universo é produzida pela contínua vibração, que nunca cessa." (Ramacharaca, 2000:46)

"O corpo que ocupais é como uma pequena passagem que do mar conduz à terra. Embora pareça ser sujeito às próprias leis, na realidade é sujeito ao fluxo e refluxo da maré oceânica. O grande mar da vida dilata-se e recai, e nós respondemos às suas vibrações e ao seu ritmo do grande oceano da vida; às vezes, porém, a boca da passagem parece estar impedida, e por causa disso, não podemos receber o impulso do Oceano Materno e, como consequência, manifesta-se em nós uma desarmonia." (Ramacharaca, 2000:47)

"Cada organismo possui seu próprio grau de vibração, e isso aplica-se também a todo objecto inanimado, de um grão de areia a uma montanha, e mesmo a cada planeta e a cada sol." (Hamel, 1995:146)

"O coração bate diferentemente em diferentes pessoas, porém o seu batimento indica sempre a unidade para o tempo da respiração rítmica de cada pessoa; em quem bate mais ligeiro, terá mais curta essa unidade, e em quem bate mais devagar, terá essa unidade mais prolongada." (Ramacharaca, 2000:48)

"A música e a respiração como unidade estão estreitamente ligadas ao efeito terapêutico dos sons. (...) A vivência do corpo é uma capacidade, ou melhor, um presente, diametralmente oposto à nossa educação voltada para a produção." (Hamel, 1995:215)



"Apesar disso, é necessário encontrar caminhos para se redescobrir os espaços interiores, para se perceber de forma consciente a própria respiração, para se estimular com a própria voz o que acontece em volta, para tornar o canto possivel, para se promover os movimentos respiratórios naturais, que permitem que as pessoas encontrem sua própria vibração, seu próprio som." (Hamel, 1995:215)




Exemplo de exercícios:
  (Ramacharaca, 2000:); (Hamel, 1995:230)


"Na Índia há um conhecimento secreto baseado em sons e nos vários tipos de vibração que correspondem aos niveis  de consciência... E como cada um dos nossos centros de consciência está directamente ligado a um determinado nível, é possivel em consequência disso comunicar-se com o nível de consciência correspondente através da repetição de determinados sons... Os sons básicos ou essenciais, que têm o poder inerente de estabelecer a ligação, são chamados de mantra..." (Hamel, 1995:145)

"O poder de um mantra, não importa com que materialidade e intenção, depende intimamente do estado de consciência do praticante. Um mantra não é uma onda sonora tal como descrita pela física, e também não age quando pronunciado por alguém ignorante. É verdade que um mantra pode ser acompanhado por um som físico, mas sua energia é espiritual, vem do coração, não sendo percebida pelo ouvido externo. Portanto o mantra, na verdade, não é produzido pela boca, e sim pelo espírito, e por isso tem um significado somente para os que sabem, para os iniciados." (Hamel, 1995:151)

"A tradição cristã tambem possui uma grande prática mântrica, que infelizmente, por ser cada vez mais mal compreendida e taxada de repetitiva, vai desaparecendo do exercício religioso vivo. Basta pensar na devoção católica a Maria, com suas longas preces, na oração do rosário, que permite a mais profunda introspecção, ou nas ladainhas com a frase que sempre se repete:"Nós te imploramos, ouça nossas preçes." (Hamel, 1995:155)

"Nos locais onde só se faz negócio quando o culto é um rito superficial, o mantra perdeu todo o seu poder." (Hamel, 1995:156)



BIBLIOGRAFIA:
Hamel, P. (1995) O Autoconhecimento através da música, São Paulo, Editora Cultrix

Ramacharaca, Y. (2000) A ciência da cura psíquica, São Paulo, Editora Pensamento



Postado por Sandro Coelho

quinta-feira, 16 de junho de 2011

PSICOLOGIA TRANSPESSOAL E ESPIRITUALIDADE


No estudo da natureza deve-se considerar cada coisa isoladamente, assim como o todo. Nada está dentro, nada está fora; porque o que está dentro também está fora.
Assim, é preciso ir em frente e tentar captar o Sagrado Segredo universalmente visível. Goethe Freud, ao lhe perguntarem certa vez sobre o que pensava que uma pessoa normal estava habilitada a fazer bem, responde:  “Amar e trabalhar”. O amor significando a síntese dos gozos da generosidade e da potência orgástica, e o trabalho significando a produção sem perda do gesto amoroso (ERIKSON, 1976). Ao amor e trabalho, Reich acrescenta o saber:  “Amor, trabalho e sabersão as fontes de nossa existência. Deverão regê-la também”. O saber significando a conscientização, o tornar-se lúcido (REICH, 1980).
Hoje, um olhar contemporâneo evidencia para a Psicologia o aspecto transpessoal  e algo ressoa além:  amar, trabalhar, saber e transcender. Além do corpo, da inteligência e da emoção, tornou-se possível falar da experiência de transcendência dentro de um referencial teórico no campo da Psicologia. Mais do que falar, a vivência da transcendência,  da espiritualidade e a sacralização do cotidiano passam a ser considerados como caminhos de auto-conhecimento, de transformação, de realização, de equilíbrio e de integração. Apesar de ser considerada atual,  a Psicologia Transpessoal tem uma trajetória histórica que vem sendo construída desde o século 19. Ela reúne um conjunto de conhecimentos advindos de várias concepções teóricas e práticas, encontradas em William James, Freud, Jung, Reich, Carl Rogers, Abraham Maslow, Jacov Levy Moreno, Victor Frankl, Ken Wilber, Stanislav Grof, Pierre Weil, Jean-Yves Leloup e outros (SALDANHA, 2008). Para Abraham Maslow, a Psicologia Transpessoal é considerada a quarta força entre as correntes de estudo psicológico, sendo a primeira o Behaviorismo, a segunda a Psicanálise e a terceira o Humanismo (SALDANHA, 2008). Há, em vários autores da Psicologia Transpessoal, um reconhecimento da importância da teoria psicanalítica na análise e compreensão do psiquismo; no entanto, ressalta-se o fato de que Freud ao deter-se muito mais na doença e na miséria humana, deixou uma lacuna a ser preenchida por um outro olhar que pudesse considerar os aspectos mais saudáveis e valorosos da vida (SALDANHA, 2008). Abraham Maslow foi um dos autores que mais ênfase deu à observação e aos estudos desses aspectos positivos. Formulou conceitos como “autoatualização” relacionado com o reconhecimento e o uso das potencialidades, dos talentos, das capacidades para o caminho da transformação que, como características inerentes do ser humano, de certa maneira vão sendo inibidas e amortecidas no transcorrer da história de vida; redescobri-las e reconhecer defesas que distorcem a auto-imagem é atitude básica para o bom desenvolvimento da pessoa. Para Maslow, os mecanismos de defesa são fortes pedimentos internos para o crescimento e, além daqueles que foram definidos pela teoria psicanalítica, ele acrescentou dois outros, a dessacralização e o complexo de Jonas - constituídos por influências negativas de experiências passadas, a partir das quais decorrem comportamentos improdutivos, medos, estagnações e inflexibilidades  (FADIMAN & FRAGER, 2002; SALDANHA, 2008). Estas idéias serão retomados no segundo capítulo como pontos de reflexão, de reconhecimento e de entendimento dos possíveis obstáculos à evolução pessoal, social e da humanidade como um todo.   A seguir, como fundamentos desta reflexão   são destacados três temas principais da Psicologia Transpessoal, assinalando-se também algumas referências psicanalíticas, ou seja: o  processo terciário, o princípio da transcendência e a espiritualidade; o mapa da consciência; e o conceito de ego. 

 O processo terciário, o princípio da transcendência e a espiritualidade.
  Segundo a teoria freudiana, há dois princípios que regem o funcionamento mental: o princípio do prazer e o princípio da realidade. No principio do prazer a atividade psíquica, no seu conjunto, tem por objetivo evitar desprazer e proporcionar prazer. No princípio da realidade a procura da satisfação se faz por caminhos mais tortuosos, pois se impõe um componente regulador que adia o resultado em função das condições impostas pelo mundo exterior. Esses princípios têm correspondência com outro conceito freudiano, ainda sobre os modos de funcionamento mental, ou seja, o processo primário e o processo secundário. No processo primário as energias psíquicas fluem livremente sem encontrar barreiras, seguindo as leis que regem o inconsciente e o princípio do prazer; no processo secundário, as energias psíquicas estão mais presas, circulam de forma mais compacta e, com significações e representações, operam ligadas ao princípio da realidade e determinam uma lógica de pensamento (LAPLANCHE e PONTALIS, 1979; ZIMERMAN, 2001). 
Para a Transpessoal, no entanto, dentro de sua perspectiva de considerar todo o manancial positivo que a alma humana traz e que incorpora em sua trajetória evolutiva, existe algo além, algo que possibilita um reencantamento do mundo, a emergência de valores benéficos, o redespertar da confiança, a ocorrência do desejo mais profundo que é o florescimento do Ser – algo que se realiza através do que é denominado processo terciário e que se relaciona com o princípio da transcendência (SALDANHA, 2008).
O processo terciário é definido como um conjunto de referenciais inerentes ao desenvolvimento do ser humano que favorece o despertar da dimensão espiritual, propiciando a atualização experiencial de valores positivos, saudáveis, curativos, tanto
individual como coletivo, caracterizando um processo regido pelo princípio da transcendência (SALDANHA, 2008, p. 144).
Pensar a transcendência, segundo Leonardo Boff, é perceber o ser humano como um projeto ilimitado, que possui uma dimensão de abertura, um desejo de ir além, de romper limites, de exercer sua liberdade criativa e sua capacidade de vôo (BOFF, 2000).
Como teólogo, pensador humanista e pessoa corajosa e destemida, ele faz críticas à idéia preconizada por algumas religiões que afirmam que lá em cima está Deus, o Céu, os santos e a transcendência, e aqui em baixo fica a imanência, como estado permanente de limitação do humano: proposição esta que nos coloca em dicotomias, em polaridades. Na verdade, imanência e transcendência “não são aspectos inteiramente distintos, mas dimensões de uma única realidade que somos nós” (BOFF, 2000, p.26). 
Leonardo Boff  remete-nos à metáfora do enraizamento e abertura:
Primeiramente nos sentimos seres enraizados. Temos raiz, como uma árvore. E a raiz nos limita, porque nascemos numa determinada família, numa língua específica, com um capital limitado de inteligência, de afetividade, de amorosidade. (...) Mas somos simultaneamente seres de abertura. Ninguém segura os pensamentos, ninguém amarra as emoções. (...) Então, possuímos essa dimensão de abertura, de romper barreiras, de superar obstaculos, de ir para além de todos os limites. É isso que chamamos de transcendência. Essa é uma estrutura de base do ser humano (BOFF, 2000, p. 27-28).
Há, ainda, uma ponderação importante que Leonardo Boff nos apresenta: trata-se de identificarmos em nosso meio as “pseudotranscendências”, ou seja, as idolatrias criadas pelos meios de comunicação de massa, as religiões que constroem transcendências artificiais, as drogas etc. Para sabermos se a transcendência é legitima necessitamos observar o que ela potencializa em nós: amplia nossa liberdade? Nos dá mais energia para os confrontos? Nos torna mais generosos, compassivos, solidários? Pois aí está um bom parâmetro para a verdadeira transcendência: uma experiência fecunda, que cure nosso lado doentio, que nos torne essencialmente humanos (BOFF, 2000).
A transcendência é esclarecedora, promove auto-conhecimento, indica direção evolutiva e desvela força espiritual. É integradora e relaciona-se com uma expressão saudável do ser (SALDANHA, 2008). 

Boof, L - Espiritualidade 

Publicado por: Maria da Graça Carvalho

Educação Holística (1ª Parte)


Pierre Weil no seu livro “A Arte de viver em Paz”, chama-nos à atenção para várias temáticas relacionadas com a Paz. Uma das temáticas que me tocou foi a educação holística, partilho com o leitor algumas das premissas que julgo serem importantes e se lhe despertar curiosidade, e consultar o site do Pierre Weil e/ou ler o livro “A Arte de viver em Paz” atingi o objectivo deste artigo.
Segundo Pierre Weil a Paz “(…) a educação ao longo de toda a vida baseia-se em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser”
Ainda segundo ele a educação deve ser holística e renovar o seu paradigma, podendo ser uma contribuição de suma importância para a concretização da Paz, em baixo podemos ver a roda da Paz idealizada por Pierre



Com podemos aferir na roda, se educarmos e formos educados bom base nesta visão holística o nosso comportamento, as nossas atitudes, os nossos valores, podem ser modificados, por exemplo: tolerar a diferença de ideias, de religião, de crenças, de politica e outras.
 A educação holística confere então ao indivíduo uma condição de estudante e não de aluno. A mesma pretende despertar o indivíduo para o desenvolvimento da razão, da intuição, das sensações e do sentimento. (Pierre Weil, 2007)
“O que se busca é uma harmonia entre essas funções psíquicas. (…) um equilíbrio entre os lados direito e esquerdo do cérebro e uma circulação harmoniosa de energia entre as camadas corticais e subcorticais e todo o sistema cerebro-espinal.”
Esta é uma visão diferente da educação e cujo objectivo é educar para a paz.
A paz como um estado de harmonia interior resultado de uma visão não fragmentada do saber. É uma tese de natureza espiritual, ligada às grandes tradições da humanidade” (Kirishnamurti,1954) in  (Weill P. .A Arte de viver em Paz).

Bibliografia:
 WEILL; P. (2007). A Arte de Viver em Paz. [versão electrónica]. Acedido em 14 de Junho de 2011.

Queirós, Natália (2011)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pôr-se no lugar do outro: «também eu, se fosse tu…»

Etimologicamente o conceito de “empatia” deriva do radical latino “in” ou “im” (em) e do grupo lexical grego “pathein” (sentir)[1], o que significa “sentir em” ou “sentir a partir de dentro do outro”, sentir segundo o seu ponto de vista[2]. Neste sentido C. Boulanger e C. Lançon, defendem que empatia significa «a capacidade de se colocar no lugar de uma outra pessoa para compreender os seus sentimentos ou representar na sua mente as representações do outro. É a capacidade de se identificar ao outro e de adoptar a sua perspectiva subjectiva»[3]. Ou, segundo o Glossary of Psychoanalytic Terms and Concepts, «é uma forma de perceber o estado psicológico e as experiências de outra pessoa»[4].
Kohut, autor incontornável neste assunto, associa a capacidade de empatia à introspecção, considerando a compreensão empática como um meio tão válido como os órgãos dos sentidos para aceder ao mundo interno, às emoções, sentimentos, desejos e pensamentos do outro[5].
Para Rogers, por fim, a empatia consiste em perceber com a maior exactidão possível as referências internas e os componentes emocionais do outro, em compreendê-los como se eu fosse essa pessoa e em comunicar-lhe depois essa compreensão. Neste sentido diz que a compreensão empática se cumpre «quando o terapeuta é sensível aos sentimentos e às reacções pessoais que o paciente experimenta a cada momento, quando pode aprendê-los “de dentro” tal como o paciente os vê, e quando consegue comunicar com êxito alguma coisa dessa compreensão ao paciente»[6]. E longe de ser uma panaceia, esta compreensão conduz à transformação do mundo interno da pessoa. Afirma Rogers: «quando o terapeuta é capaz de apreender momento a momento a experiência que ocorre no mundo interior do paciente, como este o sente e o vê, sem que a sua própria identidade se dissolva nesse processo de empatia, então pode dar-se a transformação»[7]. A empatia implica, por isso, «entrar no mundo pessoal do outro e sentir-se aí com o mesmo prazer como se estivesse em sua própria casa. Isso implica ser sensível, momento a momento, à transformação de significados experimentados que vão fluindo na outra pessoa…»[8].



[1] Cf. Dicionário Universal da Língua Portuguesa. Lisboa: Texto Editora, 2000.
[2] Cf. J. C. BERMEJO, Apuntes de relación de ayuda, 25.
[3] C. BOULANGER & C. LANÇON, “L’empathie: réflexions sur um concept”, 498.
[4] Citado por J. CODERCH, La relación paciente-terapeuta, 168.
[5] Citado por J. CODERCH, La relación paciente-terapeuta, 169
[6] C. ROGERS, Tornar-se pessoa, 64.
[7] Ibidem, 65.
[8] C. ROGERS, “Empathic: an unappreciated way of being”. In The Counseling Psychology 5, 2 (1975), 2-10.


Retirado do artigo "Relação Pastoral de Ajuda", de Fernando Sampaio

Postado por: Cátia Simões

Acupunctura

“A acupunctura é uma prática chinesa com mais de 3000 anos e é vastamente utilizada no mundo oriental, tendo-se nos últimos anos expandido para o Ocidente.” (Nunes, 2008:125) Esta prática refere que existem pontos-chave no nosso corpo que codificam energia, denominando-os por meridianos. Esses meridianos correspondem a diferentes órgãos e, a prática em questão pretende reorganizar a energia com agulhas muito finas ou com os dedos a fazer pressão nas zonas certas ou dando pequenos estímulos eléctricos em determinados pontos-chave do corpo (Cf. Nunes, 2008:125).
Os efeitos da acupunctura no tratamento de doenças têm-se vindo a verificar e a evidenciar. Assim sendo, é possível enumerar um conjunto de doenças nas quais a prática em questão exerce um papel importante, nomeadamente “(…) todo o tipo de dores agudas ou crónicas; ciática; rinite alérgica, sinusite, bronquite e asma; cólicas biliar, estomacal, intestinal e renal; artrite/gota; gastrite e gastroespasmos; hipertensão e hipotensão; psoríase; depressão; insónia” (OMS, 2002, citado em Nunes, 2008:126).
“O principal risco da acupunctura é a possibilidade de infecções graves por transmissão de vírus, como o HIV ou a Hepatite B devido à utilização de agulhas não devidamente esterilizadas.” (Nunes, 2008:126), mas tal facto está nas mãos dos profissionais que prestam o serviço e, por isso há que ter em conta as referências da pessoa com quem fazemos o tratamento.




Maria Luísa Teves
3º Gs





Bibliografia
Nunes, B. (2008). Envelhecer com saúde: guia para melhorar a sua saúde física e psíquica. Lisboa e Porto: Lidel.


Bibliografia Electrónica
Acedido a 22 de Maio de 2011 às 01:19 h
Acedido a 22 de Maio de 2011 às 01:21 h