domingo, 22 de maio de 2011

Hipnose

A hipnose tem sido usada como espectáculo em palcos, de uma forma por vezes leviana, que quando se pretende usá-la como instrumento médico ou psiquiátrico, surpreende muitas pessoas. Entre os aspectos positivos da hipnose até há pouco tempo camuflados, contam-se o facto de o estado hipnótico poder ser alcançado por cerca de 70% da população e de o mesmo implicar, primariamente, não a perda de autonomia, mas um aprofundar da consciência e, através da sugestão, um aumento de controle sobre as funções autónomas do organismo.

Além do mais, não é tanto a “perda da noção de tempo” e a amnésia consequente que fundamentalmente caracterizam a hipnose, mas períodos de intensa lucidez em que o indivíduo pode ser capaz de remontar a recordações longínquas para recolher informações que, de outro modo, seriam irrecuperáveis.

No entanto, tem se prestado uma atenção muito maior aos potenciais abusos recorrentes da prática da hipnose do que às aplicações positivas da mesma. De facto, este fenómeno pouco compreendido tem causado tal receio entre os membros da comunidade médica e o público em geral que o seu uso com fins de entretenimento tem sido severamente restringido. Até certo ponto, tais precauções são razoáveis, uma vez que o transe hipnótico, sendo uma capacidade latente na maioria dos homens, é um estado complexo que pode oferecer um acesso directo único ao subconsciente.

Embora o estado hipnótico e vários meios de o alcançar fossem conhecidos dos antigos egípcios e gregos, a história registada da hipnose é, na realidade, muito breve. Considera-se frequentemente que remonta, embora esta datação não seja rigorosa, às experiências realizadas em meados do século XVIII por Franz Anton Mesmer. No entanto, e apesar do extraordinário efeito que produzia nos seus doentes, Mesmer não os hipnotizava. O primeiro praticante de hipnose dos tempos modernos foi de facto um discípulo de Mesmer, o marquês de Puységur, que, na década de 1780, induziu inadvertidamente um transe profundo num dos seus doentes, enquanto tentava suscitar a crise de histeria característica dos tratamentos de Mesmer.

Nem Puységur, nem qualquer dos seus contemporâneos da escola de Mesmer chegaram a compreender totalmente o fenómeno que utilizavam. Antes persistiam na crença de que estimulavam de algum modo o “magnetismo animal”, pela primeira vez postulado por Mesmer. Assim, durante várias décadas o hipnotismo foi utilizado não só por médicos, como por entusiastas do oculto, adquirindo durante o processo muita da má reputação de que goza. Um após outro, os primeiros teóricos ofereceram para o fenómeno bizarras explicações que deviam pouco à ciência e bastante à imaginação ou a concepções basicamente erradas. Mesmo James Braid, o médico inglês que reabilitou o mesmerismo na década de 1840, o rebaptizou de hipnotismo (da palavra grega Hypnos, que significa “sono”) e o usou no alívio da dor dos doentes sujeitos a intervenções cirúrgicas, não compreendeu o processo na sua essência.

Só na década de 1930, com o trabalho do psicólogo Clark Hull, o hipnotismo começou a ser objecto de cuidadosa experimentação que merecia. Como Hull salientou em Hypnosis  and Suggestibility, um dos maiores obstáculos à aceitação científica da hipnose fora a sua eficácia a nível prático. Embora a reputação da hipnose sofresse altos e baixos ao longo dos anos, “o motivo dominante em toda a história do hipnotismo foi de natureza clínica, o da cura de doenças humanas. Seria difícil conceber um método menos indicado para a formulação de princípios científicos. A tarefa do médico é efectivar a cura o mais rapidamente possível, usando mais ou menos simultaneamente qualquer um e todos os meios à sua disposição”.

No entanto, como o hipnotismo era complementado por outros métodos de tratamento, foi prestada maior atenção às complexidades do seu modo de actuação. Cinquenta anos de séria experimentação não desvendaram todos os seus mistérios, mas muitos dos mitos e equívocos sobra o hipnotismo têm sido dissipados.

Embora continue a ser comparada ao estado do sono, a hipnose é, na realidade, um estado alterado de consciência no qual há quem caia natural e inconscientemente, por exemplo, durante um sonho vígil. Embora possa ser suscitada de vários modos, a hipnose é mais vulgarmente conseguida através de uma combinação de estímulos visuais e auras que produz um elevado nível de descontracção e concentração.

No estado hipnótico, um indivíduo é capaz de bloquear todas as imagens, recordações, informações e sons quotidianos para se concentrar num objectivo particular com inusitada intensidade. Este processo de triagem pode revelar-se especialmente útil em psicoterapia, permitindo ao doente actualizar imagens cruciais do passado, e em trabalho policial, em que testemunhas incapazes de evocar conscientemente determinados pormenores podem conseguir recordá-los enquanto hipnotizadas.

Está bastante divulgado o uso da hipnose com fins analgésicos. Doentes cancerosos em fase terminal usaram a hipnose para diminuir a sua agonia e reduzir a ansiedade sem medicação e os seus consequentes efeitos colaterais. A hipnoterapia foi utilizada com êxito em doentes sofrendo de artrite, enxaquecas ou depressões, pessoas que comem em excesso, fumadores e mulheres em trabalho de parto.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Hull, C. (1933). Hypnosis and Suggestibility: An Experimental Approach, Appleton-Century-Crofts, New York.

Http://en.wikipedia.org/wiki/James_Braid_(surgeon) (Acedido em 21-05-2011)

Postado por: Ana Paula Sousa

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Psicólogo Transpessoal ou Xamã?



Consideram-se os estados alterados de consciência e os estados místicos das tradições religiosas mundiais como os principais objectos de trabalho e pesquisa dos Psicólogos Transpessoais. Estas abordagens levam a que algumas pessoas possam imaginar/supor que todo o Psicólogo Transpessoal seja um Xamã. Assim a Leonor Chaves, Psicóloga Transpessoal e Arteterapeuta e também autora do artigo “Psicologia Transpessoal e Xamanismo” expõe-nos que “em parte talvez sejam xamãs”. No entanto, há diferenças que vale a pena considerar para uma melhor compreensão do “papel” de cada um no seu contexto terapêutico.

Começaremos então pelo Xamã que é (…) o sábio, o curandeiro, o homem/mulher que sabe conectar vários níveis de consciência, vários mundos da psique e do espírito. Que fala com os espíritos, pede sua ajuda e os honra com sua reverência.

Ele é o homem que através de estados de êxtase (extáticos) compreende o mundo interior, e exterior no sentido de encontrar a cura do corpo e da alma.

Ele liga-se às forças da Natureza e trabalha com os seus elementos realizando vários rituais para o efeito desejado – acede às forças de que precisa através da música, da dança, das plantas de poder, dos instrumentos especiais, das ervas, etc...

O Xamã é aquele que busca a transcendência através do êxtase.       

A história do xamanismo vem de tempos imemoriais, das culturas indígenas, do uso das plantas sagradas, ou seja, ela existe desde que o Homem procurou contacto consigo mesmo e com a Natureza. Encontramos aqui a figura do mago, do curandeiro, do xamã e sacerdote.

Desta forma, e no sentido de trabalhar e lidar com os estados alterados de consciência, pode-se afirmar que o Terapeuta Transpessoal assemelha-se ao xamã, mas com uma diferença.

Ele baseia-se na teoria para aplicar a sua prática, utiliza técnicas reconhecidas pela ciência, tentando estar sempre ao abrigo da organização social e cultural ocidental.

O Terapeuta Transpessoal utiliza-se tanto de técnicas e abordagens desenvolvidas pela ciência oficial, como pode utilizar-se de música, exercícios de respiração e meditação, hipnose, visualizações, como amplificadores do estado original de consciência. Isto para promover a mudança da personalidade e a cura do indivíduo como um todo, nos seus aspectos psíquicos, espirituais e físicos. A experiência do indivíduo proporciona uma possibilidade de uma nova visão sobre o mundo e entendimento da sua própria história em relação a um todo maior.

Segundo a autora do artigo, O objectivo da Psicoterapia Transpessoal é resgatar a unidade fundamental, trabalhando os vários níveis de consciência e as patologias psíquicas ligadas aos bloqueios da fluidez da energia em cada nível.

No resgate da unidade fundamental, a Psicologia Transpessoal fundamenta-se numa teoria e técnica próprias.
A Psicologia Transpessoal Sistémica utiliza a Teoria dos Sistemas Vivos e as descobertas da Terapia Sistémica para entender e mapear os aspectos do padrão familiar e evolutivo do indivíduo no sentido da sua contextualização. Isto permite trabalhar a sua mudança de padrão e modelo (paradigma) individual, promovendo o processo de Individuação, mudança nos níveis relacionais e a compreensão desta história individual num esquema evolutivo mais amplo (mapeamento dos padrões cármicos). As bases científicas e filosóficas da Psicologia Transpessoal estão presentes na Filosofia de Smuts, na Física Quântica e Teoria dos Sistemas, entre outros.

É de referir, entretanto, que ambos se fundamentam na inexistência de uma dualidade absoluta. Isto é, o Ego não existe como um conceito fechado em si-mesmo, ele é uma parte de um todo e deve estar articulado com este todo, portanto ele deve ser fluido o suficiente para se alinhar ao Eu.

A fusão do Ego ao todo implica a contemplação dos seguintes dados:

- Autobiografia, para entender o padrão de reprodução das mesmas modalidades de realidades, uma vez que para esta abordagem, somos co-criadores com o universo e criamos as nossas próprias felicidades e vicissitudes;
- A visão cósmica da realidade - há uma unidade absoluta para a qual tendemos e na qual estamos integrados, sem necessariamente podermos percebê-la todo o tempo;
- O objectivo terapêutico é adequar o Ego para ficar apto de actuar cada vez mais integrado com níveis mais elevados de consciência;
- A diluição dos padrões egóicos que são fundamentais para a evolução do indivíduo rumo a uma consciência maior de si e da sua natureza;
 - O contacto com níveis transpessoais de consciência auxilia o processo de cura psíquica e de mudança da personalidade e sedimenta a mudança de padrão. Este processo ocorre através da mudança rápida no comportamento e na programação celular, possibilitando a regressão e/ou cura de doenças físicas e psíquica.

O caminho dos Xamãs e dos Terapeutas é para aqueles que tiverem a coragem de olhar para si mesmos em todas as suas dimensões, olhando do Todo para a pequena parte que se é e, através de uma identificação cósmica, poder limpar as identificações limitadoras, entrando num novo eixo de pensamento e possibilidades.

Bibliografia:

Cf. Chaves, L. Psicologia Transpessoal e Xamanismo.


Publicado por Valériya Kalyuga

A Aura

Homem é a energia condensada que tem a sua origem na infinitude cósmica e que, depois de passar por diversos planos modeladores, materializa-se segundo a ordem genética pré-estabelecida.
Da mesma forma que o planeta tem os seus filtros de protecção, os seres vivos têm os seus, embora o Homem é o único ser vivo que pode modelar esses filtros.
Aura é o nome dado ao campo energético que rodeia o corpo físico de cada um de nós e carrega toda a informação respeitante ao nosso ser, reflectindo o nosso estado de saúde, emocional e a nossa forma de estar na vida.
A aura foi estudada nos anos setenta pelo físico russo Semyon Kirlian, inventor da kirliangrafia. Esta máquina detecta visualmente todo o ser humano representando um gerador de energia que produz um campo energético.
Se os chakras são elementos essenciais à saúde e ao bem-estar do indivíduo, sendo imprescindível conhecê-los e saber como cuidar, já a aura não passa de um instrumento de leitura.
A aura não é mais que a cor do corpo mental inferior, apenas reflecte a qualidade do corpo mental superior responsável pelo pensamento, sentimentos e emoções do sujeito. A qualquer momento a aura muda de cor; basta haver uma alteração de pensamento, sentimento ou emoção. Não é a cor da aura que é importante, mas sim a qualidade do pensamento, sentimento e emoção. Esta mudança não acontece no imediato, a cor da aura tem influência na saúde e bem-estar de cada um que terá que ter uma atitude contínua se quiser ver a sua aura mudar. Não há terapeuta que "cure" a aura, depende apenas da vontade e do querer do indivíduo que pode contudo ser orientado por um terapeuta quanto ao que deve fazer.
Segundo Meishu Sama a cor normalmente é branca, mas existem amarelas claras e roxo claro e a sua espessura normalmente é de 3 cm, embora existam mais finas e modificam-se de acordo com a maneira de ser do Homem.
Todos os pensamentos e actos humanos pertencem ao bem e ao mal e a espessura da aura é proporcional. Se o Homem pratica o bem esses pensamentos convertem-se em luz, sendo transmitidos através do fio espiritual, aumentando-a. Quando são negativos convertem-se em nuvens do corpo espiritual.

Bibliografia:

http://www.meishusama.org/ensinamentos/ems-fasc-tlo/ems-fasciculos-tlo/vibracao_espiritual_e_aura.htm

http://www.crystalinks.com/aura.html

Postado por: Delfina Correia

PNL na saúde

As pessoas costumam dizer que "mudaram com o tempo", mas não foi a passagem do tempo que as fez mudar. Foi a maneira como elas se lembram dos acontecimentos que mudou.

    Cristina Cairo refere que "A PNL estudou profundamente as reacções do corpo e encontrou os canais de acesso à mente inconsciente. Assim desenvolveu uma comunicação com todas as partes do cérebro para buscar a raiz das doenças no âmbito emocional."

    Na cura das doenças não basta ter apenas pensamento positivo. São necessárias também estratégias internas e planeamento acerca dos objectivos a atingir e dos recursos a utilizar.
"TODO SINTOMA CONTÉM UMA MENSAGEM, que parte do inconsciente do individuo e que, se for ouvida, trará progressos para sua vida, para seus relacionamentos, para a maneira como em geral se sente." (Nelly Penteado)


    Segundo Nelly Penteado, "linguagem não é a experiência, mas uma representação da experiência, assim como um mapa não é o território que representa. Como seres humanos, sempre vivenciaremos somente o mapa, e não o território. Isto quer dizer que nós não reagimos às coisas em si, mas às representações que fazemos delas."

    Recebemos informações do mundo através dos cinco sentidos: visual, auditivo, gustativo, olfativo, táctil-proprioceptivo. No entanto a informação recebida precisa de ser processada internamente, precisa de ser representada, e este processso é individual, personalizado, o que quer dizer que dois indivíduos representarão o mesmo facto de formas diferentes.
    Por exemplo, o discurso é uma expressão da nossa forma de pensar.
«Se pensar visualmente, é mais provável que você diga: "Estou vendo.", "Agora está claro.", "Vejo o que quer dizer."
No entanto, se pensar de forma auditiva, é mais provável que você diga: "Isso soa razoável.", "Estou ouvindo sininhos.", "Ouço o que você quer dizer."
Se sua experiência for mais baseada nos sentimentos, você provavelmente dirá: "Isso me parece certo.", "Isso teve impacto em mim.", "O que você disse me tocou."
A linguagem do sabor e do olfato também entra nessa categoria de sentimentos: "Seu comentário me deixou com um gosto ruim na boca." "Está cheirando a podre."» (Sue Knight)


    O processo de adoecer acontece porque existem três componentes envolvidos na representação de informações: omissão, distorção e generalização.
"A omissão ocorre quando omitimos parte da informação recebida. É ela que, por exemplo, nos permite prestar atenção no que uma pessoa está dizendo e ignorar todos os demais sons existentes num local de muitos ruídos. Ou então, quando estamos bem humorados e não prestamos atenção às pequenas contrariedades de nossa experiência, como por exemplo os semáforos que estavam todos fechados, o trânsito lento.
A distorção é frequente nos casos de mal-entendidos, em que uma pessoa disse ou fez uma coisa e a outra percebeu algo completamente diferente. Ou também nas chamadas "fofocas", em que um facto é aumentado ou deturpado.
A generalização consiste no fato de que ao recebermos uma informação, temos a tendência de generalizá-la para outros  contextos. É ela que nos permite aprender, por exemplo, a andar de bicicleta e a partir desta aprendizagem generalizar para outros tipos de bicicleta." (Nelly Penteado)


    Nelly Penteado refere que "À medida em que se vai questionando, vai-se modificando o mapa da outra pessoa, que é obrigada a completá-lo, a preencher suas lacunas, a actualizá-lo. Como consequência, ela passará a ter um outro tipo de representação, que por sua vez levará a um resultado comportamental diferente."
     
    Na PNL chama-se "dissociação" observar à distância e sem ligações com o acontecimento traumático.
"À distância, você tem mais espaço mental "para respirar". Você pode relaxar e pensar nisso com mais clareza a partir dessa nova perspectiva. Quase todos nós pensamos em mais e melhores soluções com sentimentos neutros do que quando nos sentimos aprisionados e pressionados." (Andreas e Faulkner)

    O corpo é o reflexo daquilo que acreditamos e não poderá existir doença se não acreditarmos nela.

Bibliografia:
Andreas, S.; Andreas, C. (1993) A essência da mente. Editora Summus. 3ª edição
Cairo, C. (1999) Linguagem do Corpo aprenda a ouvi-lo para uma vida saudável. Editora Mercuryo. São Paulo
Andreas, S.; Faulkner, C. PNL: A nova tecnologia do sucesso. Editora Campos
Knight, S. A programação neurolinguistica e o sucesso nos negócios. Editora Ediouro

Consultado em 16 de Maio às 10h30


Postado por Sandro Coelho

Espiritualidade 1ª Parte

Agora cabe colocar directamente a pergunta: afinal, o que é espiritualidade? Uma vez fizeram esta pergunta ao Dalai-Lama e ele deu uma resposta extremamente simples: “Espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior”.
Não entendendo direito, alguém perguntou novamente:
- Mas se eu praticar a religião e observar as tradições, isso não é espiritualidade?
O Dalai-Lama respondeu:
- Pode ser espiritualidade, mas, se não produzir em você uma transformação, não é espiritualidade. E acrescentou:
- Um cobertor que não aquece deixa de ser cobertor.
Então atalhou a pessoa:
- A espiritualidade muda ou é sempre a mesma coisa?
E o Dalai-Lama falou:
- Como dizem os antigos, os tempos mudam e as pessoas mudam com ele. O que ontem foi espiritualidade hoje não precisa mais ser. O que em geral se chama de espiritualidade é apenas a lembrança de antigos caminhos e métodos religiosos.
E arrematou:
- O manto deve ser cortado para se ajustar aos homens. Não são os homens que devem ser cortados para se ajustar ao manto.

Parece-me que o principal a ser retido desse pequeno diálogo com o Dalai-Lama é que espiritualidade é aquilo que produz dentro de nós uma mudança. O ser humano é um ser de mudanças, pois nunca está pronto, está sempre se fazendo, física, psíquica, social e culturalmente. Mas há mudanças e mudanças. Há mudanças que não transformam nossa estrutura de base. São superficiais e exteriores, ou meramente quantitativas. Mas há mudanças que são interiores. São verdadeiras transformações alquímicas, capazes de dar um novo sentido à vida ou de abrir novos campos de experiência e de profundidade rumo ao próprio coração e ao mistério de todas as coisas. Não raro, é no âmbito da religião que ocorrem tais
mudanças. Mas nem sempre. Hoje a singularidade de nosso tempo reside no fato de que a espiritualidade vem sendo descoberta como dimensão profunda do humano, como o momento necessário para o desabrochar pleno de nossa individuação e como espaço da paz no meio dos conflitos e desolações sociais e existenciais.


Espiritualidade, dimensão esquecida e necessária
Espiritualidade vem de espírito. Para entendermos o que seja espírito precisamos desenvolver uma concepção de ser humano que seja mais fecunda do que aquela convencional, transmitida pela cultura dominante. Esta afirma que o ser humano é composto de corpo e alma ou de matéria e espírito. Ao invés de entender essa afirmação de uma forma integrada e globalizante, entendeu-a de forma dualista, fragmentada e justaposta. Assim surgiram os muitos saberes ligados ao corpo e à matéria (ciências da natureza) e os vinculados ao espírito e à alma (ciências do humano). Perdeu-se a unidade sagrada do ser humano vivo que é a convivência dinâmica de materia e de espírito entrelaçados e inter-retro-conectados.
1. Espiritualidade concerne ao todo ou à parte?
Espiritualidade, nesta segmentarização, significa cultivar um lado do ser humano: seu espírito, pela meditação, pela interiorização, pelo encontro consigo mesmo e com Deus. Esta diligência implica certo distanciamento da dimensão da matéria ou do corpo.
Mesmo assim espiritualidade constitui uma tarefa, seguramente importante, mas ao lado de outras mais. Temos a ver com uma parte e não com o todo.
Como vivemos numa sociedade altamente acelerada em seus processos históricos-sociais, o cultivo da espiritualidade, nesse sentido, nos obriga a buscar lugares onde encontramos condições de silêncio, calma e paz, adequados para a interiorização.
Esta compreensão não é errônea. Ela contem muita verdade. Mas é reducionista. Não explora as riquezas presentes no ser humano quando entendido de forma mais globalizante. Então aparece a espiritualidade como modo- de-ser da pessoa e não apenas como momento de sua vida.
Antes de mais nada importa enfatizar fato de que, tomado concretamente, o ser humano constitui uma totalidade complexa. Quando dizemos “totalidade” significa que nele não existem partes justapostas. Tudo nele se encontra articulado e harmonizado. Quando dizemos “complexa” significa que o ser humano não é simples, mas a sinfonia de múltipas dimensões. Entre outras, discernimos três dimensões fundamentais do único ser humano: a exterioridade, a interioridade e a profundidade.
2. A exterioridade humana: a corporeidade
A exterioridade é tudo o que diz respeito ao conjunto de relações que o ser humano entretém com o universo, com a natureza, com a sociedade, com os outros e com sua própria realidade concreta em termos de cuidado com o ar que respira, com os alimentos que consome/comunga,com a água que bebe,com a roupas que veste e com as energias que vitalizam sua corporeidade. Normalmente se entende essa dimensão como corpo. Mas corpo não é um cadáver. É o próprio ser humano todo inteiro mergulhado no tempo e na matéria, corpo vivo, dotado de inteligência, de sentimento,de compaixão, de amor e de êxtase. Esse corpo total vive numa trama de relações para fora e para além de si mesmo. Tomado nessa acepção fala-se hoje de corporeidade ao invés de simplesmente corpo.
3. A interioridade: a psiqué humana
A interioridade é constituída pelo universo da psiqué, tão complexo quanto o mundo exterior, habitado por instintos, pelo desejo, por paixões, por imagens poderosas e por arquétipos ancestrais. O desejo constitui, possivelmente, a estrutura básica da psiqué humana. Sua dinâmica é ilimitada. Como seres desejantes, não desejamos apenas isso e aquilo. Desejamos tudo e o todo. O obscuro e permanente objeto do desejo é o Ser em sua totalidade. A tentação é identificar o Ser com alguma de suas manifestações, como a beleza, a posse, o dinheiro, a saúde, a carreira profissional e a namorada, o namorado, os filhos, assim por diante. Quando isso ocorre, surge a fetichização do objeto desejado. Significa a ilusória identificação do absoluto com algo relativo, do Ser ilimitado com o ente limitado. O efeito é a frustração porque a dinâmica do desejo de querer o todo e não a parte se vê contrariada. Daí, no termo, predominar o sentimento de irrealização e, consequentemente, o vazio existencial.
O ser humano precisa sempre cuidar e orientar seu desejo para que ao passar pelos vários objetos de sua realização – é irrenunciável que passe - não perca a memória bemaventurada do único grande objeto que o faz descansar, o Ser, o Absoluto, a Realidade fontal, o que se convencionou chamar de Deus. O Deus que aqui emerge não é simplesmente o Deus das religiões, mas o Deus da caminhada pessoal, aquela instância de valor supremo, aquela dimensão sagrada em nós, inegociável e intransferível. Essas qualificações configuram aquilo que, existencialmente, chamamos de Deus.
A interioridade é denominada também de mente humana, entendida como a totalidade do ser humano voltada para dentro, captando todas as ressonâncias que o mundo da exterioridade provoca dentro dele.
4. A profundidade: o espírito
Por fim o ser humano possui profundidade. Tem a capacidade de captar o que está além das aparências, daquilo que se vê, se escuta, se pensa e se ama. Apreende o outro lado das coisas, sua profundidade. As coisas todas não são apenas coisas. Todas elas possuem uma terceia margem. São símbolos e metáforas de outra realidade que as ultrapassa e que elas recordam, trazem presente e a ela sempre remtem.
Assim a montanha não é apenas montanha. Em sendo montanha, traduz o que significa majestade. O mar evoca grandiosidade; o céu estrelado, infinitude; os olhos profundos de uma criança, o mistério da vida humana e do universo.
O ser humano capta valores e significados e não apenas fatos e acontecimentos. O que definitivamente conta não são as coisas que nos acontecem, mas o que elas significam para a nossa vida e que experiências elas nos propiciam. As coisas, então, passam a ter caráter simbólico e sacramental: nos recordam o vivido e alimentam nossa interioridade. Não é sem razão que enchemos nossa casa ou o nosso quarto de fotos, de objetos queridos dos pais, dos avós, dos amigos, daqueles que entraram em nossa vida e significaram muito. Pode ser o último toco de cigarro do pai que morreu de enfarte ou o pente de madeira da tia que morreu ou a carta emocionada do namorado que revelou seu amor. Aqueles objetos não são mais objetos. São sacramentos, pois falam, recordam, tornam presente significados, caros ao coração.
Captar, desta forma, a profundidade do mundo, de si mesmo e de cada coisa constitui o que se chamou de espírito. Espírito não é uma parte do ser humano. É aquele momento da conscicência mediante o qual captamos o significado e o valor das coiss. Mais ainda, é aquele estado de consciência pelo qual apreendemos o todo e a nós mesmos como parte e parcela deste todo.
O espírito nos permite fazer uma experiência de não-dualidade. “Tu és isso tudo” dizem os Upanishads da India, apontando para o universo. Ou “tu és o todo” dizem os yogis. “O Reino de Deus está dentro de vós” proclama Jesus. Estas afirmações remetem a uma experiência vivida e não a uma doutrina. A experiência é que estamos ligados e re-ligados uns aos outros e todos à Fonte Originante. Uma fio de energia, de vida e de sentido perpassa a todos os seres, constituindo-os em cosmos e não em caos, em sinfonia e não disfonia.
A planta não está apenas diante de mim. Ela está como ressonância, símbolo e valor dentro de mim. Há em mim uma dimensão montanha, vegetal, animal, humana e divina. Espiritualidade não consiste em saber disso, mas em vivenciar e fazer disso tudo conteúdo de experiência. Bem dizia Blaise Pascal: “ crer em Deus não é pensar em Deus mas sentir Deus”. A partir da experiência tudo se transfigura. Tudo vem carregado de veneração e de sacralidade.
A singularidade do ser humano consiste em experimentar a sua própria profundidade. Auscultando a si mesmo percebe que emergem de seu profundo apelos de compaixão, de amorização e de identificação com os outros e com o grande Outro, Deus. Dá-se conta de uma Presença que sempre o acampanha, de um Centro ao redor do qual se organiza a vida interior e a partir do qual se elaboram os grandes sonhos e as significações últimas da vida. Trata-se de uma energia originária, com o mesmo direito de cidadania que outras energias como a sexual, a emocional e a intelectual.
Pertence ao processo de individuação acolher esta energia, criar espaço para esse Centro e auscultar estes apelos, integrando-os no projeto de vida. É a espiritualidade no seu sentido antropológico de base. Para ter e alimentar espiritualidade a pessoa não precisa professar um credo ou aderir a uma instituição religiosa. A espiritualidade não é monopólio de ninguém, mas se encontra em cada pessoa e em todas as fases da vida. Essa profundidade em nós representa a condição humana espiritual, aquilo que designmos espiritualidade.
Obviamente para as pessoas religiosas, esse Centro é Deus e os apelos que dele derivam é sua Palavra. As religiões vivem desta experiência. Articulam-na em doutrinas, em ritos, celebrações e em caminhos éticos e espirituais. Sua função primordial reside em criar e oferecer condições para que cada pessoa humana e as comunidades possam fazer um mergulho na realidade divina e fazer a sua experiência pessoal de Deus.
Essa experiência porque é experiência e não doutrina tem como efeito a irradiação de serenidade, de profunda paz e de ausência do medo. A pessoa sente-se amada, acolhida e aconchegada num Utero divino, O que lhe acontecer, acontece no amor desta Realidade amorosa. Até a morte é exorcizada em seu caráter de espantalho da vida. É vivida como parte da vida, como o momento alquímico da grande transformação para poder estar, de fato, no Todo e no coração de Deus.
Esta espiritualidade é um modo de ser, uma atitude de base a ser vivida em cada momento e em todas as circunstâncias. Mesmo dentro das tarefas diárias da casa, trabalhando na fábrica, andando de carro, conversando com os amigos, vivendo a intimidade com a pessoa amada, a pessoa que criou espaço para a profundidade e para o espiritual está centrado, sereno e pervadido de paz. Irradia vitalidade e entusiasmo, porque carrega Deus dentro de si. Esse Deus é amor que no dizer do poeta Dante move o céu, todas as estrelas e o nosso próprio coração.
Esta espiritualidade tão esquecida e tão necessária é condição para uma vida integrada e singelamente feliz. Ela exorciza o complexo mais dificil de ser integrado: o envelhecimento e a morte.
Para a pessoa espiritual o envelhecer e o morrer pertencem à vida, não matam a vida, mas transfiguram a vida, permitindo um patamar novo para a vida. Assim como ao nascer, nós mesmos não tivemos que nos preocupar, pois, a natureza agiu sabiamente e o cuidado humano zelou para que esse curso natural acontecesse, assim analogamente com a morte: passamos para outro estado de consciência sem nos darmos conta dessa passagem. Quando acordamos nos encontraremos nos braços aconchegantes do Pai e Mãe de infinita bondade, que desde sempre nos esperavam. Cairemos em seus braços. E então nos perdemos para dentro do amor e da fonte de vida.

Boff Leonardo- in Espiritualidade


Postado por: Graça Carvalho 

domingo, 15 de maio de 2011

Carta de Transdisciplinaridade


Sendo este Blog um contributo para a Psicologia Transpessoal, Ciência que considera o Homem como  ser holístico, julgo ser útil deixar aqui mencionado a “Carta do I Congresso Mundial de Transdisciplinaridade” Portugal 2 a 6 de Novembro de 1994.

Carta de Transdisciplinaridade
Preâmbulo

Considerando que a proliferação actual das disciplinas académicas conduz a um crescimento exponencial do saber que torna impossível qualquer olhar global do ser humano;
Considerando que somente uma inteligência que se dá conta da dimensão planetária dos conflitos actuais poderá fazer frente à complexidade de nosso mundo e ao desafio contemporâneo de autodestruição material e espiritual de nossa espécie;
Considerando que a vida está fortemente ameaçada por uma tecno-ciência triunfante que obedece apenas à lógica assustadora da eficácia pela eficácia;
Considerando que a ruptura contemporânea entre um saber cada vez mais acumulativo e um ser interior cada vez mais empobrecido leva à ascensão de um novo   obscurantismo, cujas consequências sobre o plano individual e social são incalculáveis;   
Considerando que o crescimento do saber, sem precedentes na história, aumenta a desigualdade entre seus detentores e os que são desprovidos dele, engendrando assim desigualdades crescentes no seio dos povos e entre as nações do planeta;
Considerando simultaneamente que todos os desafios enunciados possuem sua contrapartida de esperança e que o crescimento extraordinário do saber pode conduzir a uma mutação comparável à evolução dos humanóides à espécie humana;
Considerando o que precede, os participantes do Primeiro Congresso Mundial de Transdisciplinaridade (Convento de Arrábida, Portugal 2 - 7 de Novembro de 1994) adoptaram o presente Protocolo entendido como um conjunto de princípios fundamentais da comunidade de espíritos transdisciplinares, constituindo um contrato moral que todo signatário deste Protocolo faz consigo mesmo, sem qualquer pressão jurídica e institucional.

 Artigo 1:
Qualquer tentativa de reduzir o ser humano a uma mera definição e de dissolvê-lo nas estruturas formais, sejam elas quais forem, é incompatível com a visão transdisciplinar.
Artigo 2:
O reconhecimento da existência de diferentes níveis de realidade, regidos por lógicas diferentes é inerente à atitude transdisciplinar. Qualquer tentativa de reduzir a realidade a um único nível regido por uma única lógica não se situa no campo da transdisciplinaridade.
Artigo 3:
A transdisciplinaridade é complementar à aproximação disciplinar: faz emergir da confrontação das disciplinas dados novos que as articulam entre si; oferece-nos uma nova visão da natureza e da realidade. A transdisciplinaridade não procura o domínio sobre as várias outras disciplinas, mas a abertura de todas elas àquilo que as atravessa e as ultrapassa.
Artigo 4:
O ponto de sustentação da transdisciplinaridade reside na unificação semântica e operativa das acepções através e além das disciplinas. Ela pressupõe uma racionalidade aberta por um novo olhar, sobre a relatividade definição e das noções de ““definição”e "objectividade”. O formalismo excessivo, a rigidez das definições e o absolutismo da objectividade comportando a exclusão do sujeito levam ao empobrecimento”.
Artigo 5:
A visão transdisciplinar está resolutamente aberta na medida em que ela ultrapassa o domínio das ciências exactas por seu diálogo e sua reconciliação não somente com as ciências humanas mas também com a arte, a literatura, a poesia e a experiência espiritual.
Artigo 6:
Com a relação à interdisciplinaridade e à multidisciplinaridade, a transdisciplinaridade é multidimensional. Levando em conta as concepções do tempo e da história, a transdisciplinaridade não exclui a existência de um horizonte trans-histórico.
Artigo 7:
A transdisciplinaridade não constitui uma nova religião, uma nova filosofia, uma nova metafísica ou uma ciência das ciências.
 Artigo 8:
A dignidade do ser humano é também de ordem cósmica e planetária. O surgimento do ser humano sobre a Terra é uma das etapas da história do Universo. O reconhecimento da Terra como pátria é um dos imperativos da transdisciplinaridade. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade, mas, a título de habitante da Terra, é ao mesmo tempo um ser transnacional. O reconhecimento pelo direito internacional de um pertencer duplo - a uma nação e à Terra - constitui uma das metas da pesquisa transdisciplinar.
Artigo 9:
A transdisciplinaridade conduz a uma atitude aberta com respeito aos mitos, às religiões e àqueles que os respeitam em um espírito transdisciplinar.
Artigo 10:
Não existe um lugar cultural privilegiado de onde se possam julgar as outras culturas. O movimento transdisciplinar é em si transcultural.
Artigo 11:
Uma educação autêntica não pode privilegiar a abstração no conhecimento. Deve ensinar a contextualizar, concretizar e globalizar. A educação transdisciplinar reavalia o papel da intuição, da imaginação, da sensibilidade e do corpo na transmissão dos conhecimentos.
Artigo 12:
A elaboração de uma economia transdisciplinar é fundada sobre o postulado de que a economia deve estar a serviço do ser humano e não o inverso.
Artigo 13:
A ética transdisciplinar recusa toda atitude que recusa o diálogo e a discussão, seja qual for sua origem - de ordem ideológica, científica, religiosa, económica, política ou filosófica. O saber compartilhado deverá conduzir a uma compreensão compartilhada baseada no respeito absoluto das diferenças entre os seres, unidos pela vida comum sobre uma única e mesma Terra.
Artigo 14:
Rigor, abertura e tolerância são características fundamentais da atitude e da visão transdisciplinar. O rigor na argumentação, que leva em conta todos os dados, é a barreira às possíveis distorções. A abertura comporta a aceitação do desconhecido, do inesperado e do imprevisível. A tolerância é o reconhecimento do direito às ideias e verdades contrárias às nossas.


Artigo final:
A presente Carta Transdisciplinar foi adoptada pelos participantes do Primeiro Congresso Mundial de Transdisciplinaridade, que visam apenas à autoridade de seu trabalho e de sua actividade. Segundo os processos a serem definidos de acordo com os espíritos transdisciplinares de todos os países, o Protocolo permanecerá aberto à assinatura de todo ser humano interessado em medidas progressistas de ordem nacional, internacional para aplicação de seus artigos na vida.

 (adoptada no Primeiro Congresso Mundial da Transdisciplinaridade, Convento de Arrábida, Portugal, 2-6 Novembro 1994)
Convento de Arrábida, 6 de Novembro de 1994 Comité de Redacção Lima de Freitas, Edgar Morin e Basarab Nicolescu.

Referências Electrónicas:
Queirós, Natália (2011)

sábado, 14 de maio de 2011

Reiki

“Reiki é uma terapia baseada na canalização da energia universal (rei) através da imposição de mãos com o objectivo de restabelecer o equilíbrio energético vital de quem a recebe e, assim, restaurar o estado de equilíbrio natural (seja ele emocional, físico ou espiritual); podendo eliminar doenças e promover saúde” (retirado de http://pt.wikipedia.org/wiki/Reiki a 21 de Abril de 2011). Deste modo, o tratamento pelo Reiki torna-se mais eficaz se a doença não estiver muito vinculada na mente (Cf. Lübeck, 2003), sendo também importante a confiança e empatia estabelecida entre a pessoa que recebe e a que executa o tratamento como forma de segurança e fluidez na relação terapêutica. Assim, esta terapia dá apoio à vida e ao desenvolvimento do indivíduo, tendo em conta que trabalha de mãos dadas com programas de exercício físico e controlo da alimentação para restabelecer uma vida mais sã e mais bem desfrutada, porque não há bem que funcione sozinho.
“Se há queixas específicas e agudas (feridas, contusões, etc.) aplica-se o tratamento no local do sintoma. Para queixas crónicas, cujo efeito se faça sentir em largas áreas do corpo, ou queixas com um fundo psicológico, deve ser aplicado o tratamento para todo o corpo” (Lübeck, 2003). Assim, “quanto mais espaço livre e activo existir no corpo, na mente e na alma, tanto melhor o Reiki pode realizar o seu trabalho” (Lübeck, 2003).
Digamos que a cura pelo Reiki tem em conta o corpo, a mente e a alma que concorrem para a cura emocional que tem por base três fases:
“Verdade – A cura começa através da consciência. (…) associada ao medo, à dor e ao sofrimento.
Amor – A decisão de se manter activo e de se empenhar na união traz muitas vezes consigo uma flutuação entre a alegria, o sentimento de realização e a esperança, (…), e a insegurança, a recaída em hábitos que causam separação e acompanham a doença e o desapontamento, por outro. (…)
Conhecimento – (…) qualidade de vida pelo uso inconsciente de aspectos da personalidade e de recursos que antes tinham sido desprezados ou reprimidos. Com isto, o processo de cura está concluído” (Lübeck, 2003).
                Muitas vezes prendemo-nos apenas ao quotidiano agitado e controverso sem olhar ao nosso redor para acolhermos o que nos pode fazer amplificar o nosso Eu interior, fazendo com que rejuvenesçamos exteriormente com um brilho e vontade de viver contagiante.
Vivam, sonhem, aproveitem, anseiem e desfrutem. Que a felicidade e a vontade de viver com qualidade se espalha e converta todos os corações.


Maria Luísa Teves
3º Gs


Referências Bibliográficas
Lübeck, W. (2003). Reiki para pequenas urgências (1.ª ed.). Lisboa: Pergaminho.

Bibliografia Electrónica
Consultado a 21 de Abril de 2011 às 10:30 h
Consultado a 13 de Abril de 2011 às 09:30 h