sábado, 18 de junho de 2011

Nosso corpo, local de culto

"O homem respira sempre, dormindo e acordado, e a respiração trabalha de tal forma que em geral só se torna consciente quando temos problemas com ela: falta de fôlego devido a grandes esforços, dificuldade em respirar devido a doenças, falta de ar quando em estado de choque, mas tambem grandes golfadas de ar ao ar livre, na floresta." (Hamel, 1995:216)

"A energia da respiração consiste antes de mais nada em Prana, a energia sutil que percorre canais invisiveis mas perceptíveis do corpo. O prana pode ser sentido quando ocorre uma descarga de adrenalina provocada por um susto, "descendo um frio pelas costas", ou quando uma parte do corpo "se arrepia" com uma carícia suave. Esses canais sutis são conhecidos também na acupunctura, e correm em parte directamente sob a superficie da pele, mas também no interior do corpo, ao longo da coluna vertebral, ligando os chakras uns aos outros. Através desses canais, tambem chamados de Nadis, corre o prana." (Hamel, 1995:218)



"A Respiração Prânica tem sua base na incessante vibração que sempre é evidente em toda a natureza. Tudo está em constante vibração. Não há repouso no Universo. Desde o planeta até ao átomo, tudo está em movimento e em vibração. Se um dos mais distantes átomos cessasse de vibrar, a Natureza perderia o equilíbrio. A obra do Universo é produzida pela contínua vibração, que nunca cessa." (Ramacharaca, 2000:46)

"O corpo que ocupais é como uma pequena passagem que do mar conduz à terra. Embora pareça ser sujeito às próprias leis, na realidade é sujeito ao fluxo e refluxo da maré oceânica. O grande mar da vida dilata-se e recai, e nós respondemos às suas vibrações e ao seu ritmo do grande oceano da vida; às vezes, porém, a boca da passagem parece estar impedida, e por causa disso, não podemos receber o impulso do Oceano Materno e, como consequência, manifesta-se em nós uma desarmonia." (Ramacharaca, 2000:47)

"Cada organismo possui seu próprio grau de vibração, e isso aplica-se também a todo objecto inanimado, de um grão de areia a uma montanha, e mesmo a cada planeta e a cada sol." (Hamel, 1995:146)

"O coração bate diferentemente em diferentes pessoas, porém o seu batimento indica sempre a unidade para o tempo da respiração rítmica de cada pessoa; em quem bate mais ligeiro, terá mais curta essa unidade, e em quem bate mais devagar, terá essa unidade mais prolongada." (Ramacharaca, 2000:48)

"A música e a respiração como unidade estão estreitamente ligadas ao efeito terapêutico dos sons. (...) A vivência do corpo é uma capacidade, ou melhor, um presente, diametralmente oposto à nossa educação voltada para a produção." (Hamel, 1995:215)



"Apesar disso, é necessário encontrar caminhos para se redescobrir os espaços interiores, para se perceber de forma consciente a própria respiração, para se estimular com a própria voz o que acontece em volta, para tornar o canto possivel, para se promover os movimentos respiratórios naturais, que permitem que as pessoas encontrem sua própria vibração, seu próprio som." (Hamel, 1995:215)




Exemplo de exercícios:
  (Ramacharaca, 2000:); (Hamel, 1995:230)


"Na Índia há um conhecimento secreto baseado em sons e nos vários tipos de vibração que correspondem aos niveis  de consciência... E como cada um dos nossos centros de consciência está directamente ligado a um determinado nível, é possivel em consequência disso comunicar-se com o nível de consciência correspondente através da repetição de determinados sons... Os sons básicos ou essenciais, que têm o poder inerente de estabelecer a ligação, são chamados de mantra..." (Hamel, 1995:145)

"O poder de um mantra, não importa com que materialidade e intenção, depende intimamente do estado de consciência do praticante. Um mantra não é uma onda sonora tal como descrita pela física, e também não age quando pronunciado por alguém ignorante. É verdade que um mantra pode ser acompanhado por um som físico, mas sua energia é espiritual, vem do coração, não sendo percebida pelo ouvido externo. Portanto o mantra, na verdade, não é produzido pela boca, e sim pelo espírito, e por isso tem um significado somente para os que sabem, para os iniciados." (Hamel, 1995:151)

"A tradição cristã tambem possui uma grande prática mântrica, que infelizmente, por ser cada vez mais mal compreendida e taxada de repetitiva, vai desaparecendo do exercício religioso vivo. Basta pensar na devoção católica a Maria, com suas longas preces, na oração do rosário, que permite a mais profunda introspecção, ou nas ladainhas com a frase que sempre se repete:"Nós te imploramos, ouça nossas preçes." (Hamel, 1995:155)

"Nos locais onde só se faz negócio quando o culto é um rito superficial, o mantra perdeu todo o seu poder." (Hamel, 1995:156)



BIBLIOGRAFIA:
Hamel, P. (1995) O Autoconhecimento através da música, São Paulo, Editora Cultrix

Ramacharaca, Y. (2000) A ciência da cura psíquica, São Paulo, Editora Pensamento



Postado por Sandro Coelho

quinta-feira, 16 de junho de 2011

PSICOLOGIA TRANSPESSOAL E ESPIRITUALIDADE


No estudo da natureza deve-se considerar cada coisa isoladamente, assim como o todo. Nada está dentro, nada está fora; porque o que está dentro também está fora.
Assim, é preciso ir em frente e tentar captar o Sagrado Segredo universalmente visível. Goethe Freud, ao lhe perguntarem certa vez sobre o que pensava que uma pessoa normal estava habilitada a fazer bem, responde:  “Amar e trabalhar”. O amor significando a síntese dos gozos da generosidade e da potência orgástica, e o trabalho significando a produção sem perda do gesto amoroso (ERIKSON, 1976). Ao amor e trabalho, Reich acrescenta o saber:  “Amor, trabalho e sabersão as fontes de nossa existência. Deverão regê-la também”. O saber significando a conscientização, o tornar-se lúcido (REICH, 1980).
Hoje, um olhar contemporâneo evidencia para a Psicologia o aspecto transpessoal  e algo ressoa além:  amar, trabalhar, saber e transcender. Além do corpo, da inteligência e da emoção, tornou-se possível falar da experiência de transcendência dentro de um referencial teórico no campo da Psicologia. Mais do que falar, a vivência da transcendência,  da espiritualidade e a sacralização do cotidiano passam a ser considerados como caminhos de auto-conhecimento, de transformação, de realização, de equilíbrio e de integração. Apesar de ser considerada atual,  a Psicologia Transpessoal tem uma trajetória histórica que vem sendo construída desde o século 19. Ela reúne um conjunto de conhecimentos advindos de várias concepções teóricas e práticas, encontradas em William James, Freud, Jung, Reich, Carl Rogers, Abraham Maslow, Jacov Levy Moreno, Victor Frankl, Ken Wilber, Stanislav Grof, Pierre Weil, Jean-Yves Leloup e outros (SALDANHA, 2008). Para Abraham Maslow, a Psicologia Transpessoal é considerada a quarta força entre as correntes de estudo psicológico, sendo a primeira o Behaviorismo, a segunda a Psicanálise e a terceira o Humanismo (SALDANHA, 2008). Há, em vários autores da Psicologia Transpessoal, um reconhecimento da importância da teoria psicanalítica na análise e compreensão do psiquismo; no entanto, ressalta-se o fato de que Freud ao deter-se muito mais na doença e na miséria humana, deixou uma lacuna a ser preenchida por um outro olhar que pudesse considerar os aspectos mais saudáveis e valorosos da vida (SALDANHA, 2008). Abraham Maslow foi um dos autores que mais ênfase deu à observação e aos estudos desses aspectos positivos. Formulou conceitos como “autoatualização” relacionado com o reconhecimento e o uso das potencialidades, dos talentos, das capacidades para o caminho da transformação que, como características inerentes do ser humano, de certa maneira vão sendo inibidas e amortecidas no transcorrer da história de vida; redescobri-las e reconhecer defesas que distorcem a auto-imagem é atitude básica para o bom desenvolvimento da pessoa. Para Maslow, os mecanismos de defesa são fortes pedimentos internos para o crescimento e, além daqueles que foram definidos pela teoria psicanalítica, ele acrescentou dois outros, a dessacralização e o complexo de Jonas - constituídos por influências negativas de experiências passadas, a partir das quais decorrem comportamentos improdutivos, medos, estagnações e inflexibilidades  (FADIMAN & FRAGER, 2002; SALDANHA, 2008). Estas idéias serão retomados no segundo capítulo como pontos de reflexão, de reconhecimento e de entendimento dos possíveis obstáculos à evolução pessoal, social e da humanidade como um todo.   A seguir, como fundamentos desta reflexão   são destacados três temas principais da Psicologia Transpessoal, assinalando-se também algumas referências psicanalíticas, ou seja: o  processo terciário, o princípio da transcendência e a espiritualidade; o mapa da consciência; e o conceito de ego. 

 O processo terciário, o princípio da transcendência e a espiritualidade.
  Segundo a teoria freudiana, há dois princípios que regem o funcionamento mental: o princípio do prazer e o princípio da realidade. No principio do prazer a atividade psíquica, no seu conjunto, tem por objetivo evitar desprazer e proporcionar prazer. No princípio da realidade a procura da satisfação se faz por caminhos mais tortuosos, pois se impõe um componente regulador que adia o resultado em função das condições impostas pelo mundo exterior. Esses princípios têm correspondência com outro conceito freudiano, ainda sobre os modos de funcionamento mental, ou seja, o processo primário e o processo secundário. No processo primário as energias psíquicas fluem livremente sem encontrar barreiras, seguindo as leis que regem o inconsciente e o princípio do prazer; no processo secundário, as energias psíquicas estão mais presas, circulam de forma mais compacta e, com significações e representações, operam ligadas ao princípio da realidade e determinam uma lógica de pensamento (LAPLANCHE e PONTALIS, 1979; ZIMERMAN, 2001). 
Para a Transpessoal, no entanto, dentro de sua perspectiva de considerar todo o manancial positivo que a alma humana traz e que incorpora em sua trajetória evolutiva, existe algo além, algo que possibilita um reencantamento do mundo, a emergência de valores benéficos, o redespertar da confiança, a ocorrência do desejo mais profundo que é o florescimento do Ser – algo que se realiza através do que é denominado processo terciário e que se relaciona com o princípio da transcendência (SALDANHA, 2008).
O processo terciário é definido como um conjunto de referenciais inerentes ao desenvolvimento do ser humano que favorece o despertar da dimensão espiritual, propiciando a atualização experiencial de valores positivos, saudáveis, curativos, tanto
individual como coletivo, caracterizando um processo regido pelo princípio da transcendência (SALDANHA, 2008, p. 144).
Pensar a transcendência, segundo Leonardo Boff, é perceber o ser humano como um projeto ilimitado, que possui uma dimensão de abertura, um desejo de ir além, de romper limites, de exercer sua liberdade criativa e sua capacidade de vôo (BOFF, 2000).
Como teólogo, pensador humanista e pessoa corajosa e destemida, ele faz críticas à idéia preconizada por algumas religiões que afirmam que lá em cima está Deus, o Céu, os santos e a transcendência, e aqui em baixo fica a imanência, como estado permanente de limitação do humano: proposição esta que nos coloca em dicotomias, em polaridades. Na verdade, imanência e transcendência “não são aspectos inteiramente distintos, mas dimensões de uma única realidade que somos nós” (BOFF, 2000, p.26). 
Leonardo Boff  remete-nos à metáfora do enraizamento e abertura:
Primeiramente nos sentimos seres enraizados. Temos raiz, como uma árvore. E a raiz nos limita, porque nascemos numa determinada família, numa língua específica, com um capital limitado de inteligência, de afetividade, de amorosidade. (...) Mas somos simultaneamente seres de abertura. Ninguém segura os pensamentos, ninguém amarra as emoções. (...) Então, possuímos essa dimensão de abertura, de romper barreiras, de superar obstaculos, de ir para além de todos os limites. É isso que chamamos de transcendência. Essa é uma estrutura de base do ser humano (BOFF, 2000, p. 27-28).
Há, ainda, uma ponderação importante que Leonardo Boff nos apresenta: trata-se de identificarmos em nosso meio as “pseudotranscendências”, ou seja, as idolatrias criadas pelos meios de comunicação de massa, as religiões que constroem transcendências artificiais, as drogas etc. Para sabermos se a transcendência é legitima necessitamos observar o que ela potencializa em nós: amplia nossa liberdade? Nos dá mais energia para os confrontos? Nos torna mais generosos, compassivos, solidários? Pois aí está um bom parâmetro para a verdadeira transcendência: uma experiência fecunda, que cure nosso lado doentio, que nos torne essencialmente humanos (BOFF, 2000).
A transcendência é esclarecedora, promove auto-conhecimento, indica direção evolutiva e desvela força espiritual. É integradora e relaciona-se com uma expressão saudável do ser (SALDANHA, 2008). 

Boof, L - Espiritualidade 

Publicado por: Maria da Graça Carvalho

Educação Holística (1ª Parte)


Pierre Weil no seu livro “A Arte de viver em Paz”, chama-nos à atenção para várias temáticas relacionadas com a Paz. Uma das temáticas que me tocou foi a educação holística, partilho com o leitor algumas das premissas que julgo serem importantes e se lhe despertar curiosidade, e consultar o site do Pierre Weil e/ou ler o livro “A Arte de viver em Paz” atingi o objectivo deste artigo.
Segundo Pierre Weil a Paz “(…) a educação ao longo de toda a vida baseia-se em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser”
Ainda segundo ele a educação deve ser holística e renovar o seu paradigma, podendo ser uma contribuição de suma importância para a concretização da Paz, em baixo podemos ver a roda da Paz idealizada por Pierre



Com podemos aferir na roda, se educarmos e formos educados bom base nesta visão holística o nosso comportamento, as nossas atitudes, os nossos valores, podem ser modificados, por exemplo: tolerar a diferença de ideias, de religião, de crenças, de politica e outras.
 A educação holística confere então ao indivíduo uma condição de estudante e não de aluno. A mesma pretende despertar o indivíduo para o desenvolvimento da razão, da intuição, das sensações e do sentimento. (Pierre Weil, 2007)
“O que se busca é uma harmonia entre essas funções psíquicas. (…) um equilíbrio entre os lados direito e esquerdo do cérebro e uma circulação harmoniosa de energia entre as camadas corticais e subcorticais e todo o sistema cerebro-espinal.”
Esta é uma visão diferente da educação e cujo objectivo é educar para a paz.
A paz como um estado de harmonia interior resultado de uma visão não fragmentada do saber. É uma tese de natureza espiritual, ligada às grandes tradições da humanidade” (Kirishnamurti,1954) in  (Weill P. .A Arte de viver em Paz).

Bibliografia:
 WEILL; P. (2007). A Arte de Viver em Paz. [versão electrónica]. Acedido em 14 de Junho de 2011.

Queirós, Natália (2011)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pôr-se no lugar do outro: «também eu, se fosse tu…»

Etimologicamente o conceito de “empatia” deriva do radical latino “in” ou “im” (em) e do grupo lexical grego “pathein” (sentir)[1], o que significa “sentir em” ou “sentir a partir de dentro do outro”, sentir segundo o seu ponto de vista[2]. Neste sentido C. Boulanger e C. Lançon, defendem que empatia significa «a capacidade de se colocar no lugar de uma outra pessoa para compreender os seus sentimentos ou representar na sua mente as representações do outro. É a capacidade de se identificar ao outro e de adoptar a sua perspectiva subjectiva»[3]. Ou, segundo o Glossary of Psychoanalytic Terms and Concepts, «é uma forma de perceber o estado psicológico e as experiências de outra pessoa»[4].
Kohut, autor incontornável neste assunto, associa a capacidade de empatia à introspecção, considerando a compreensão empática como um meio tão válido como os órgãos dos sentidos para aceder ao mundo interno, às emoções, sentimentos, desejos e pensamentos do outro[5].
Para Rogers, por fim, a empatia consiste em perceber com a maior exactidão possível as referências internas e os componentes emocionais do outro, em compreendê-los como se eu fosse essa pessoa e em comunicar-lhe depois essa compreensão. Neste sentido diz que a compreensão empática se cumpre «quando o terapeuta é sensível aos sentimentos e às reacções pessoais que o paciente experimenta a cada momento, quando pode aprendê-los “de dentro” tal como o paciente os vê, e quando consegue comunicar com êxito alguma coisa dessa compreensão ao paciente»[6]. E longe de ser uma panaceia, esta compreensão conduz à transformação do mundo interno da pessoa. Afirma Rogers: «quando o terapeuta é capaz de apreender momento a momento a experiência que ocorre no mundo interior do paciente, como este o sente e o vê, sem que a sua própria identidade se dissolva nesse processo de empatia, então pode dar-se a transformação»[7]. A empatia implica, por isso, «entrar no mundo pessoal do outro e sentir-se aí com o mesmo prazer como se estivesse em sua própria casa. Isso implica ser sensível, momento a momento, à transformação de significados experimentados que vão fluindo na outra pessoa…»[8].



[1] Cf. Dicionário Universal da Língua Portuguesa. Lisboa: Texto Editora, 2000.
[2] Cf. J. C. BERMEJO, Apuntes de relación de ayuda, 25.
[3] C. BOULANGER & C. LANÇON, “L’empathie: réflexions sur um concept”, 498.
[4] Citado por J. CODERCH, La relación paciente-terapeuta, 168.
[5] Citado por J. CODERCH, La relación paciente-terapeuta, 169
[6] C. ROGERS, Tornar-se pessoa, 64.
[7] Ibidem, 65.
[8] C. ROGERS, “Empathic: an unappreciated way of being”. In The Counseling Psychology 5, 2 (1975), 2-10.


Retirado do artigo "Relação Pastoral de Ajuda", de Fernando Sampaio

Postado por: Cátia Simões

Acupunctura

“A acupunctura é uma prática chinesa com mais de 3000 anos e é vastamente utilizada no mundo oriental, tendo-se nos últimos anos expandido para o Ocidente.” (Nunes, 2008:125) Esta prática refere que existem pontos-chave no nosso corpo que codificam energia, denominando-os por meridianos. Esses meridianos correspondem a diferentes órgãos e, a prática em questão pretende reorganizar a energia com agulhas muito finas ou com os dedos a fazer pressão nas zonas certas ou dando pequenos estímulos eléctricos em determinados pontos-chave do corpo (Cf. Nunes, 2008:125).
Os efeitos da acupunctura no tratamento de doenças têm-se vindo a verificar e a evidenciar. Assim sendo, é possível enumerar um conjunto de doenças nas quais a prática em questão exerce um papel importante, nomeadamente “(…) todo o tipo de dores agudas ou crónicas; ciática; rinite alérgica, sinusite, bronquite e asma; cólicas biliar, estomacal, intestinal e renal; artrite/gota; gastrite e gastroespasmos; hipertensão e hipotensão; psoríase; depressão; insónia” (OMS, 2002, citado em Nunes, 2008:126).
“O principal risco da acupunctura é a possibilidade de infecções graves por transmissão de vírus, como o HIV ou a Hepatite B devido à utilização de agulhas não devidamente esterilizadas.” (Nunes, 2008:126), mas tal facto está nas mãos dos profissionais que prestam o serviço e, por isso há que ter em conta as referências da pessoa com quem fazemos o tratamento.




Maria Luísa Teves
3º Gs





Bibliografia
Nunes, B. (2008). Envelhecer com saúde: guia para melhorar a sua saúde física e psíquica. Lisboa e Porto: Lidel.


Bibliografia Electrónica
Acedido a 22 de Maio de 2011 às 01:19 h
Acedido a 22 de Maio de 2011 às 01:21 h
 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Carl Jung

Carl Jung, psiquiatra suíço, trabalhou com Freud até 1911. Em 1933 abandonou os estudos com Freud por achar que a sua teoria em relação às pisconeuroses não estar associada ao factor sexual. Jung acreditava que tais perturbações eram devido ao “impulso criativo do homem”.

“O processo criativo não é “algo” que pertença a um individuo. Mas que atravessa o indivíduo. Talvez, nesse momento,  fosse mais correto chamar de impulso e não de “processo” criativo. O impulso criativo atravessa o indivíduo, assim como atravessa a cultura e os séculos.
Jung compreendeu que esse impulso criativo como sendo próprio do psiquismo humano.  Ao impulso de criação que se manifestaria de forma típica organizando o psiquismo e possibilitando o desenvolvimento do mesmo Jung chamou de arquétipos.
Os arquétipos são os processos de organização simbólica humana que a consciência humana apreende como imagens plenas e prenhes de sentido.  Os arquétipos são apreendidos pela consciência por meio dos símbolos, ou seja, pelas formas psíquicas que possuem uma representação consciente, mas cujo significa do não é claramente definido.” (Moraes, 2010)

Jung desenvolveu também a teoria do “inconsciente colectivo” que define como seno um segundo sistema psíquico da pessoa.

“O inconsciente coletivo é uma parte da psique que pode distinguir-se de um inconsciente pessoal pelo fato de que não deve sua existência à experiência pessoal, não sendo portanto uma aquisição pessoal. Enquanto o inconsciente pessoal é constituído essencialmente de conteúdos que já foram conscientes e no entanto desapareceram da consciência por terem sido esquecidos ou reprimidos, os conteúdos do inconsciente coletivo nunca estiveram na consciência e portanto não foram adquiridos individualmente, mas devem sua existência apenas à hereditaríedade. Enquanto o inconsciente pessoal consiste em sua maior parte de complexos, o conteúdo do inconsciente coletivo é constituído essencialmente de arquétipos*. (Jung, 2000)

Com todos os estudos que realizou sustentando a sua teoria foi considera um dos grandes impulsionadores na área do transpessoal. Juntaram-se a ele muitos outros psicólogos como Abraham Maslow, William James e Roberto Assagioli, entre outros, que também deram o seu contributo para aperfeiçoar esta área.




Bibliografia

Jung, C. (2000). Os Arquétipos e o inconsciente coletivo (2ª edição ed., Vol. IX/I). (D. M. Maria Luíza Appy, Trad.) Rio de Janeiro: Editora Vozes.
Moraes, F. (25 de Março de 2010). Arte e Psicoterapia: uma quase apologia. Obtido em 13 de Junho de 2011, de Jung no Espírito Santo – Blog de Fabricio Moraes, Psicologia Analítica, Psicoterapia e Cultura: http://psicologiaanalitica.wordpress.com/2010/03/25/arte-e-psicoterapia/





Maria Inês Santos

domingo, 12 de junho de 2011

O Poder dos Mitos

Actualmente, não estamos sensibilizados para a literatura do espírito. Vivemos virados para a especulação da nossa aldeia global, os casos bombásticos e toda a adrenalina com que nos habituamos a conviver. Esquecemos a magnífica herança humana que recebemos de Platão, Buda, Goethe e outros, que falam de valores eternos e que dão o real sentido à vida.

Antigamente as literaturas grega e latina e a Bíblia costumavam fazer parte da educação de toda gente. Tendo sido suprimidas, em prol de uma educação de acordo com uma sociedade industrial, onde o máximo que se exige é a disciplina para um mercado de trabalho mecanicista, toda uma tradição de informação mitológica do ocidente se perdeu. Muitas histórias se conservam na mente das pessoas, dando uma certa perspectiva daquilo que acontecia nas suas vidas. Com a perda disso, por causa dos valores pragmáticos de nossa sociedade industrial, perdemos efectivamente algo que faz parte da nossa cultura. Essas informações, provenientes de tempos antigos, têm a ver com os temas que sempre deram sustentação à vida humana, construíram civilizações e formaram religiões através dos séculos, e têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com os profundos limiares de nossa travessia pela vida, e se não soubermos o que dizem os sinais deixados por outros ao longo do caminho, teremos de produzi-los por conta própria.

Por exemplo, grandes romances podem ser excepcionalmente instrutivos, porque a única maneira de descrever verdadeiramente o ser humano é através de suas imperfeições. O ser humano perfeito é desinteressante. As imperfeições da vida, por serem nossas, é que são apreciáveis. E, quando lança o dardo de sua palavra verdadeira, o escritor fere. Mas o faz com amor. É o que Thomas Mann chamava "ironia erótica", o amor por aquilo que você está matando com a sua palavra cruel. Aquilo que é humano é que é adorável. É por essa razão que algumas pessoas têm dificuldade de amar a Deus; nele não há imperfeição alguma. Podemos sentir reverência, respeito e temor, mas isso não é amor. É o Cristo na cruz, pedindo ao Pai que afaste o seu cálice de sofrimento, e que chora por Lázaro morto, que desperta o nosso amor.
Aquilo que os seres humanos têm em comum revela-se nos mitos. São histórias da nossa vida, da nossa busca da verdade, da busca do sentido de estarmos vivos. Mitos são pistas para as potencialidades espirituais da vida humana, daquilo que somos capazes de conhecer e experimentar interiormente. O mito é o relato da experiência de vida.
A mente racional, analítica, o lado esquerdo do cérebro ocupa-se do sentido, da razão das coisas. Qual é o sentido de uma flor? Dizem que um dia perguntaram isso a Buda e ele simplesmente colheu uma flor e deu-a ao seu interlocutor. Apenas um homem compreendera o que Buda queria demonstrar. Racionalmente, não fazia sentido esse gesto. Mas podemos fazer a mesma pergunta para algo maior: qual é o sentido do universo? Ou qual o sentido de uma pulga? A única resposta realmente válida está exactamente ali, no existir. Qualquer formulação racional dá-nos uma ideia linear da coisa, mas mata a beleza da coisa em si. Estamos tão empenhados em realizar determinados feitos, com o propósito de atingir objectivos de um outro valor, linear e longe da vibração da vida, que nos esquecemos de que o valor genuíno, o prodígio de estar vivo, é o que de fato conta. É por isso que as grandes questões filosóficas, embora sejam de fundamental importância para todos, acabam sendo a preocupação de apenas uma ínfima minoria da população. Eles esqueceram de que o valor genuíno, o prodígio de estar vivo, é o que de fato conta, e preferem se acomodar aos papeis de uma vida burguesa e adaptada ao sistema capitalista, deixando que outros, actualmente os políticos e os cientistas, tomem as decisões mais complexas por eles. Mas todos já foram crianças curiosas. A curiosidade infantil é a mesma curiosidade do filósofo. Cristo está certo quando fala que só "quem se faz como um destes pequeninos, entrará no Reino dos céus". Bom, e como podemos resgatar um pouco de nosso grande potencial humano? Lendo mitos. Eles ensinam-nos que nos podemos voltar para dentro. Devemos procura-los para começar a entender as suas mensagens. Lendo mitos de outros povos começamos a perceber que alguns enredos são universais. Por exemplo, a lenda do Graal. A busca dos cavaleiros do Rei Arthur pelo Graal representa o caminho espiritual que devemos fazer e que se estende entre pares de opostos, entre o perigo e a bem-aventurança, entre o bem e o mal, pois não há nada de importante na vida que não exija sacrifícios e algum perigo.
O tema da história do Graal diz que a terra está devastada, e só quando o Graal for reencontrado poderá haver a cura da terra. E o que caracteriza a terra devastada? É a terra em que todos vivem uma vida inautêntica, fazendo o que os outros fazem, fazendo o que são mandados fazer, desprovidos de coragem para uma vida própria. Esquecem-se que são seres únicos, sendo cada indivíduo uma pessoa diferente das demais. A beleza de uma terra rica está exactamente na convivência dos diferentes, não na mistura deles. Se temos um lugar ou uma era em que todos se alienam e fazem a mesma coisa, temos a terra devastada: "Em toda a minha vida nunca fiz o que queria, sempre fiz o que me mandaram fazer".

O Graal torna-se aquilo que é logrado e conscientizado por pessoas que viveram as suas próprias vidas. O Graal representa (simboliza) o receptáculo das realizações das mais altas potencialidades da consciência humana.
O rei que inicialmente cuidava do Graal, por exemplo, era um jovem adorável, mas que, por ainda ser muito jovem e cheio de ansiedades de viver, acabou por tomar atitudes que não se coadunavam com a posição de rei do Graal. Ele partiu do castelo com o grito de guerra "Amor!", o que é próprio da juventude, mas que não se coaduna com a condição de ser rei do Graal. Ele parte do castelo e, quando cavalgava, um muçulmano, um não cristão, surgiu da floresta (a floresta representando o nível desconhecido do nosso psiquismo). Ambos erguem as lanças e atiram-se um contra o outro. A lança do rei Graal mata o pagão, mas a lança do pagão castra o rei Graal.
Isto significa a separação que os padres da igreja fizeram entre matéria e espírito (já que Jesus sempre se referia ao Reino como um campo em que um semeador saiu a semear, ou uma rede atirada ao mar, ou a uma festa de núpcias, ou sobre as aves do céu e os lírios do campo, está claro que esta divisão pré-cartesiana foi fruto da mentalidade patriarcal dos pais da igreja, não do Cristo), entre dinamismo da vida e o reino do espírito, entre a graça natural e a graça sobrenatural, na verdade castrou a natureza. A verdadeira espiritualidade, que resultaria da união entre matéria e espírito, tal como era praticada pelos Druidas, foi morta. O que representava, então, o pagão? Era alguém dos subúrbios do Éden. Era um homem que veio da floresta, ou seja, da natureza mais densa, e na ponta de sua lança estava escrita a palavra "Graal". Isso quer dizer que a natureza aspira ao Graal. A vida espiritual é o buquê, o perfume, o florescimento e a plenitude da vida humana, e não uma virtude sobrenatural imposta a ela. Desse modo, os impulsos da natureza são sagrados e dão autenticidade à vida. Esse é o sentido do Graal: Natureza e espírito anseiam por se encontrar uma ou outro, numa atitude holística. E o Graal, procurado nestas lendas românticas, é a reunião do que tinha sido divido, o seu encontro simboliza a paz que advém da união.
O Graal que é encontrado tornou-se o símbolo de uma vida autêntica, vivida de acordo com a sua própria volição, de acordo com o seu próprio sistema de impulsos, vida que se move entre os pares de opostos, o bem e o mal, a luz e as trevas. Uma das versões da lenda do Graal começa citando um breve poema: "Todo acto traz bons e maus resultados". Todo acto na vida desencadeia pares de opostos em seus resultados. O melhor que devemos fazer é pender em direcção da luz, na direcção da harmonia entre estes pares, e que resulta da compaixão pelo sofrimento, que resulta de compreender o outro. É disso que trata o Graal. É isso o que Buda quis dizer por tomar o caminho do meio. É isso o que significa estar cruxificado entre o bom e o mal ladrão e ainda orar ao Pai...
Selecção, resumo e adaptação do Livro "O Poder do Mito" de Joseph Campbell, feito por Carlos Guimarães - Por que mitos? Por que nos importarmos com eles? O que eles têm a ver com nossas vidas?
(continua)
Postado por Delfina Correia