sábado, 11 de junho de 2011

A vida é uma aventura

“A vida é uma aventura"

“E é assim que ela devia ser vivida. Nunca repetir as mesmas experiências. Sempre inovar, sempre inovar. Pensa que o ser vai à terra fazer a experiência da emoção. E para ajudá-lo nessa tarefa, criámos a experiência na matéria. As experiências na matéria criam emoção e o ser experiência a emoção. É um circuito fechado que funciona muito bem.
Agora imagina aquelas pessoas que nunca criam experiências novas nas suas vidas. Aquelas pessoas que fazem sempre as mesmas coisas, dia após dia, ano após ano. Porque julgam que mudar é mau. Porque não se atrevem, não arriscam, não se atiram do precipício sem saber o seu tamanho nem o que as espera lá em baixo. Nunca põem a possibilidade de EU estar lá em baixo. E de Eu as colocar numa nave para subirem ao céu. Não têm fé. Não fazem comunhão.
Essas pessoas não experienciam a vida na sua maior dimensão. Nunca saem do seu círculo de conforto. Não arriscam. Não perdem, mas também não ganham. E a vida vai ficando previsível. E vai ficando aborrecida. E um dia notam que já não se interessam por nada. É o dia da morte da essência. É o dia em que a experiência da matéria chegou ao fim por falta de matéria-prima. Por falta de experiências. Tudo fica repetitivo, tudo fica sem graça, tudo fica disforme. E a vida não é nada disso.
A vida é uma grande aventura. Com experiências novas para serem vividas. Novo. Tudo novo. Queres um conselho? Faz com que a tua vida não tenha muitas repetições. Cria situações. Cria. A criatividade é o motor da vida. E se tiveres por obrigação situações repetitivas, vive-as de forma inovadora, todos os dias.
Muda. Muda as coisas. E se não puderes mudar as coisas, muda a forma de fazeres as coisas. E a tua essência vai renascer. E qual Fénix que se eleva das cinzas, vai ganhar asas e finalmente vai voar. E ter uma essência que voa é a forma mais brilhante de se evoluir.”
Retirado do site: http://www.alexandrasolnado.com/, consultado no dia 8 de Junho de 2011.
Postado por: Cláudia Almeida

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ESPIRITUALIDADE E TRANSCENDÊNCIA


Hoje vou partilhar com vocês um capítulo de uma Monografia apresentada como item de avaliação do curso de Psicologia Transpessoal, pela ALUBRAT – CESBLU, sob orientação da Profª M.S. Célia Maria Lameiro Rodrigues. Cujo título é: Vivências Emocionais de Equipes de Saúde Trabalhando em UTI Pediátrica: um Olhar Transpessoal Sobre o Sofrimento e o Morrer” - por Luciana Marin Jardim Lange e Rosângela A. Lucindo Pedroso Fiorelli. Apesar de ser um trabalho no âmbito de pediatria o sofrimento e o morrer estão presentes em todas as etapas da vida humana. Cada vez mais da Espiritualidade e a Transcendência estão ligados, na minha opinião, claro. Todos nós somos seres espirituais e transcendentes. Embora, alguns de nós só se aperceba dessa ligação quando está a num processo de sofrimento. Espero que seja útil, este excerto da monografia

“Estudos actuais demonstram a importância da interface entre espiritualidade e Psicologia e consideram a espiritualidade como parte essencial da personalidade e da saúde, parte de toda a dimensão pessoal da experiência, do equilíbrio e da harmonia do ser humano.
Mongano et al. (2008) destacam que a Organização Mundial da Saúde, incluiu em seu instrumento de qualidade de vida o domínio religiosidade, espiritualidade e crenças pessoais, evidencia estudos e metanálises que associam envolvimento religioso e espiritualidade com saúde física, mental, melhores índices de saúde, maior longevidade, habilidades de manejo e qualidade de vida.
A diversidade de conceitos acerca da espiritualidade, no entanto, apresenta uma dificuldade a ser ultrapassada para que a espiritualidade, enquanto busca pessoal de respostas sobre o significado da vida e do relacionamento com o sagrado e/ou transcendente, possa efectivamente ser optimizada.
A Psicologia Transpessoal, considera a espiritualidade como processo fundamental para a vida humana, ultrapassando as dificuldades encontradas pela Psicologia mais tradicional que coloca a espiritualidade fora da sua esfera de investigação e conhecimento. Tal ultrapassagem amplia a possibilidade do resgate da proposta inicial da Psicologia - estudar e compreender o espírito.
Na abordagem transpessoal espiritualidade e religião se diferenciam. A religião é considerada enquanto prática institucionalizada, dogmática e pública, enquanto que “(...) a espiritualidade não se atém a dogmas; integra o organismo ao meio; o racional, o emocional e o social com a clareza de que não estão separados, gerando altruísmo, cuidado ético consigo e com o outro como decorrência natural” (Marques, 2000). A Psicologia Transpessoal considera tanto os aspectos da personalidade, como os da individualidade, os quais abrangem a espiritualidade e referem-se a todos os estados de expansão da consciência e actividades humanas que têm em comuns valores éticos, superiores, estéticos e altruístas (Assagioli, 1993).
Ao abordar a espiritualidade promove benefícios significativos no tratamento da desesperança e do desespero, potencializando capacidades e desenvolvendo modelos colaborativos e relacionais, fundamentados na mobilização da esperança, das inteligências intrínsecas e do optimismo. A espiritualidade, na perspectiva transpessoal, reporta o cuidar na área de saúde, à sua dimensão holística, que compreende, dentre outros, ao amor, a caridade, as sensibilidades do feminino e a estética. Possibilita ainda o trabalho com a subjectividade favorecendo a ampliação da compreensão dos eventos como o sofrimento e a morte e o desenvolvimento de estados emocionais mais favoráveis para superação das dificuldades e do sofrimento no âmbito psicológico, condição essencial durante o processo de internação hospitalar. “Deus que fora banido da prática clínica já havia algum tempo, passa a ser valorizado. Isso, em grande parte, acontece devido ao aumento da crença dos médicos de que o que ocorre na mente da pessoa pode ser tão importante para a saúde como o que ocorre em nível celular. Fazem investimentos científicos para ‘descobrir a natureza de Deus’ e a importância da espiritualidade (…), buscam caminhos éticos e meios efectivos de como combinar as crenças espirituais de seus pacientes e as suas com tratamentos de alta tecnologia” ( Léo Pessini, in Angerami – Camon, 2004, p. 48).
Para Maslow (1994), a vida espiritual constitui-se no aspecto mais elevado de nossa existência, intrínseca à essência do ser humano, uma característica definidora de sua natureza, inerente ao verdadeiro eu. O princípio da transcendência, intimamente correlacionado com a espiritualidade “(...) indica um impulso em direcção do despertar espiritual por meio da própria humanidade do ser, da pulsão de vida, morte e para além delas” (Saldanha, 2008, p. 145).
A espiritualidade compreende a necessidade de transcendência quando encontramos um sentido evolutivo e um propósito significativo para a vida. Quando “(...) a pulsão de transcendência encontra espaço na expressão da psique (...), afloram as meta necessidades, (...) nas quais há valores positivos naturalmente éticos, como a solidariedade, beleza, êxtase e a própria espiritualidade presentes como aspectos inclusivos do desenvolvimento humano... correlaciona-se à expressão saudável do indivíduo, a qual abrange a síntese da razão, emoção, intuição, sensação e os valores do Ser (...)” (Saldanha, 2008, p.146-147).
A transcendência apresenta, portanto, uma potencialidade significativa para superação das dificuldades e eventos traumáticos. Possibilita amparo e autoconfiança para lidar com a dor psicológica e ultrapassar as adversidades vivenciadas no contexto hospitalar.
Enquanto possibilidade de recurso benéfico para se lidar com traumas psicológicos e situações em que as pessoas se vêem diante dos próprios limites e vulnerabilidades, reduz a perda do controle e o desamparo advindo de tais vivências.
Saldanha (2008) destaca que a Abordagem Integrativa Transpessoal, no que se refere ao desenvolvimento humano, considera o processo primário regido pelo princípio do prazer, correlato a pulsão de vida e morte; o processo secundário regido pelo princípio da realidade e referente à estruturação do ego, e o processo terciário, regido pelo princípio da transcendência, aspecto relevante na promoção da saúde individual e colectiva, passível de estimulação, desenvolvimento ou bloqueio.
O princípio da transcendência favorece movimentos em direcção à unidade, à saúde, valores e processos criativos superiores. Sua característica de síntese e diferencial significativo na abordagem transpessoal, integra todos os processos anteriores.
Permite a minimização do sofrimento e favorece o encontro de um significado e uma finalidade para as experiências. Influencia favoravelmente a qualidade de vida, possibilitando a diminuição da gravidade de sintomas correlacionados à ansiedade, depressão, insegurança, compulsão, fobia, paranóia e somatizações, que se manifestam com significativa frequência no ambiente hospitalar.
“Esta pulsão é uma força que, quando não é impedida, se expressa naturalmente, é saudável, benéfica para o indivíduo e seu ambiente, é esclarecedora, promove o autoconhecimento em sua concepção mais ampla. É a informação subjacente à semente, aquela que sabe que é a futura árvore e conhece o caminho para concretizar as condições que a favorecem” (Saldanha, 2008, p. 151).
“Na pulsão de transcendência há aspectos além de uma função; indica a força espiritual, uma direcção evolutiva inerente ao processo de desenvolvimento humano, que segue o seu curso, flui através do Ser no relacionamento interno e externo e para além deste, é algo superior, sagrado, que transcende o que costumamos considerar como nós mesmos, é um caminho além do ego” (Saldanha, 2008, p. 150).
A pulsão de transcendência oferece novas possibilidades e diferentes perspectivas no que se refere ao desenvolvimento do ser humano ao integrar aspectos supra conscientes e destacar-se como um diferencial apresentado explicitamente pela Abordagem Integrativa Transpessoal. Constitui-se, no entanto, enquanto força que necessita ser estimulada por não se encontrar ainda plenamente evoluída no actual estágio do desenvolvimento humano (Saldanha, 2008).”

Referência Bibliográfica


Postado por Catarina Sofia Pereira

DÉJÀ VU

Expressão francesa que significa “Já visto”, déjà vu refere-se à vulgar sensação se ter previamente experimentado uma situação, observado uma cena ou vivido uma sequência de acontecimentos. Tais sensações são geralmente acompanhadas por uma consciência consideravelmente aumentada e pela convicção de que é efectivamente possível predizer o que acontecerá a seguir. Quer implique situações ou caracteres familiares, quer, como é igualmente comum, ocorra num lugar ou remonte a um tempo do qual o sujeito não tem qualquer conhecimento, tal como acontece quando a um indivíduo que viaja pela primeira vez num país estrangeiro se depare inesperadamente uma aldeia que ele reconhece em pormenor, a experiência parece por vezes provocar ansiedade e outras deleite. Na sua primeira viagem a África, Carl G. Jung teve uma dessas experiências: olhando através da janela do comboio, viu um indígena solitário de pé sobre um penhasco. “Era”, escreveu ele, “como se nesse momento estivesse a regressar à terra da minha juventude e soubesse que o negro… estava à minha espera há cinco mil anos.” Jung designou a sua experiência pela expressão “reconhecimento do imemorialmente conhecido”.

Numerosas teorias têm sido propostas para explicar o déjà vu, mas nenhuma conseguiu ampla aceitação, e nenhuma prova médica foi jamais oferecida para o explicar biologicamente, embora Arthur Wigan sugerisse, em 1884, que o fenómeno podia resultar do facto de um dos hemisférios cerebrais registar dados uma fracção de segundos mais cedo do que o outro. Segundo uma teoria relacionada, proposta por F. Myers em 1895, o inconsciente, ou consciente subliminal, reconhece acontecimentos um instante mais cedo do que a mente consciente.

Segundo outras explicações possíveis que têm sido seriamente propostas, o déjà vu resulta de uma ou outra forma de PES (Percepção Extra Sensorial) – clarividência, telepatia, precognição ou sonhos precognitivos; é prova de reencarnação, ou ainda de consciência pré-natal, baseando-se em recordações de experiências da mãe do indivíduo.

Terá a reencarnação algo de comum com o déjà vu, a sensação de que já nos encontrámos anteriormente num determinado local, talvez, como sugerem os crentes na reencarnação, durante uma anterior encarnação? As explicações de carácter neurológico de tais sensações são fascinantes. No entanto, aparentemente não explicam casos como este, narrado pelo escritor W. Chapmen White, que aconteceu com um casal americano, Mr. e Mrs. Bralorne, num cruzeiro à Índia.

Mr. Bralorne declarou: “Nunca me tendo até então ausentado da América, obviamente nunca vira Bombaim, ao desembarcar experimentei uma estranha sensação. Quando a minha mulher e eu começámos a percorrer as ruas, afirmei: “Quando dobrarmos aquela esquina, encontramos a igreja afegã, e um pouco mais longe, duas ruas abaixo, vamos encontrar a Rua De Lisle.” A minha mulher olhou-me com estranheza e observou: “Conheces perfeitamente o caminho. Ou talvez sintas que já aqui estiveste.”

“Com o que fiquei assombrado. Era precisamente o que eu sentia. É indescritível como a nossa desorientação aumentou durante o dia. Percorremos a cidade como se tivéssemos conhecido todas as suas ruas e todos os seus velhos edifícios durante toda a nossa vida.”

No decorrer de um dos passeios pela cidade, os Bralornes perguntaram a um polícia se no sopé de Malabar Hill havia uma casa de grandes dimensões com uma grande figueira-dos-banianos à sua frente. O polícia respondeu-lhes que existira de facto nesse local uma casa que correspondia à descrição, a qual fora derrubada há 90 anos. O pai do polícia fora criado nessa casa, que pertencera à família Bhan. E existia de facto uma grande figueira-dos-banianos em frente da casa. Foi neste ponto que os Bralornes se lembraram de que haviam dado ao seu filho o nome de Bhan Bralorne, porque “nessa altura parecia-nos um nome indicado”.



MYERS, F. W. (1903). Human Personality and its Survival of Bodily Death. Green & Co. Longmans

STEVENSON, I. (1974). Twenty Cases Suggestive of Reicarnation. 2ª Ed. University Press of Virginia.


Postado: Ana Paula Sousa

Massoterapia e Terapias Holísticas

Massoterapia é a utilização de diversas técnicas holísticas de origem orientais e ocidentais, exercidas por meio de toque (massagens) proporcionando grandes virtudes terapêuticas, relaxantes, anti-stress, estéticas, emocionais e desportivas. Possibilita maior contacto com o próprio físico, valorizando a respiração e desenvolvendo uma melhor percepção corporal, aumentando a consciência e dando a devida importância ao equilíbrio na vida para o dia-a-dia.
A massagem é das terapias mais antigas e simples que é exercida através do toque, amassamentos entre outras técnicas, nas diversas regiões do corpo com o intuito de aliviar a dor, relaxar, estimular e tonificar.
Para além de produzir uma agradável sensação de relaxamento na pele, a massagem actua directamente nos tecidos moles como os músculos, tendões e ligamentos com o intuito de melhorar o tónus muscular, os seus benefícios podem actuar não só nos músculos superficiais e na pele mas também ao nível dos órgãos e estimulação sanguínea, ajudando ainda na melhoria da circulação linfática que corre paralelamente à circulação sanguínea, e elimina os detritos do corpo.   
Existem vários tipos de massagens mas o princípio e os movimentos básicos são sempre os mesmos, estas são exercidas com óleos essenciais que conjuntamente com o movimento produzem um efeito mais benéfico na pessoa que recebe a massagem.
 Hoje em dia existem massagens aplicadas praticamente para todos os fins. Desde massagens para bebés e idosos até massagens cosméticas, de rejuvenescimento localizado. As massagens hoje em dia estão cada vez mais enraizadas nas culturas chegando até mesmo às empresas. Cada vez mais, grandes organizações incorporam nos seus pacotes de incentivos, massagens inclusive no próprio local de trabalho.
É verdade que a massagem em Portugal ainda não é acessível a todas as pessoas mas em vários países da Europa já se verifica que a massagem é parte integrante da vida quotidiana uma vez que está cientificamente provado que esta traz grandes benefícios não só a nível físico como também a nível psicológico e uma vez que esta também tem uma vertente holística promove um bem-estar geral na pessoa a recebe.

Postado por: Ana Lourenço

terça-feira, 7 de junho de 2011

Diversidade Social e a Ética do Amor

O termo “diversidade” é utilizado no campo das ciências sociais (como a Sociologia, Antropologia, Psicologia Social, História, etc) como um conceito que permite refletir as diferenças subjetivas de experiências, ideias e comportamentos que são vividos por cada pessoa e grupo social.
Sob essa óptica, cada pessoa vive um processo particular, que vai culminar numa individualidade própria, única e que não se repete. Esse processo envolve a articulação de inúmeras variáveis – biológicas, psicológicas, sociais, culturais, energéticas, espirituais – que atuam umas sobre as outras, num contexto relacional e dentro de um caminho histórico peculiar. Neste factor historico, é fundamental a compreensão das diversidades sociais, mas, é lamentavelmente esquecido, especialmente, quando o tema é tratado por pesquisadores que não possuem a devida crítica sobre como os factores sociais, históricos e culturais actuam no processo subjectivo dos indivíduos, em conjunto com as outras variáveis que caracterizam a complexidade humana.
Sob a óptica Espíritual, esse mesmo factor ganha maior importância ainda, pois não se limita apenas à história de vida actual do ser, mas também, à história das suas encarnações passadas. Ora, do ponto de vista psicossocial, uma única encarnação actual já é suficiente para incrementar aprendizagens significativas o suficiente para tornar a nossa personalidade bastante mais complexa, variada e expressiva. Porém, somos espíritos encarnados que já vivenciaram milhares de encarnações, guardando em nossos "arquivos espirituais" todas as contribuições assimiladas nessas existências.
Isso significa que já vivemos os processos de nascimento e morte, desintegração e reintegração milhares de vezes, com todas as conseqüências psíquicas e espirituais que esses processos envolvem, e ainda, num sentido histórico, vivenciamos as contingências das mais diversas culturas, em diferentes épocas desse planeta, e também em outros planetas antes da actual encarnação na Terra. Se tomarmos todo o processo histórico vivido ao longo das encarnações, para cada ser, não devemos nos surpreender com a "diversidade social" de ideias, tendências e expressões que encontramos na complexidade de toda civilização e de toda individualidade.
Essa constatação é o primeiro elemento fundamental que permite desconstruir (ou seja, desmontar, desfazer) o discurso da intolerância e do preconceito, quando ele se faz presente como discurso ideológico da hipocrisia. Tentarei explicar essa afirmação, concluindo a questão da reflexão sobre a importância da Ética do Amor como elemento fundamental a dar um novo significado no campo das relações humanas no projeto de uma sociedade crítica, esclarecida e fraternal.
O preconceito e a intolerância faz-se presente como "discurso ideológico da hipocrisia" quando aquele que emite um julgamento preconceituoso sobre alguém, se exclui de analisar as próprias atitudes negativas, limitações e falhas. Parafraseando uma citação bíblica (São Mateus, cap. VII, v. 3,4,5),” é mais fácil olharmos o cisco no olho do outro, do que a trave em nossos próprios olhos “. O próprio Cristo apontava essa atitude como um exemplo de hipocrisia, convidando cada um a retirar a "trave" do próprio olho, antes de abordar o "argueiro" no olho dos outros irmãos (ver cap. X de "O Evangelho segundo o Espiritismo", na seção "O argueiro e a trave no olho").
Essa constatação bíblica, ainda é uma constatação bastante actual e reconhecida por muitos pesquisadores sociais contemporâneos. Por exemplo, o psicanalista argentino José Bleger, afirma que a sociedade tende a instalar uma clivagem (ou seja, uma separação, uma cisão) entre o que considera como sadio e como doente, como normal e anormal. Assim se estabelece um "distanciamento artificial", porém muito profundo entre ela (a sociedade supostamente "sadia") e todos aqueles que como os portadores de deficiência mental, delinquentes, prostitutas, etc, acabam produzindo "desvios e doenças", que a ideologia dominante supõe (hipocritamente), não têm nada a haver com a estrutura social. Bleger, então, denuncia que na verdade, "a sociedade se auto defende, não dos loucos, dos delinquentes e das prostitutas, mas de sua própria loucura, de sua própria delinquência, de sua própria prostituição", e dessa maneira, a sociedade os coloca fora de si mesma, e os ignora, e os trata como se lhe fossem estranhos e não lhe pertencessem. Com isso, por fim, a sociedade ignora a sua parcela de responsabilidade na criação de seus próprios problemas e conflitos.
Essa segregação resultante - e que se estende aos homossexuais, aos preconceitos raciais de todos os tipos, aos idosos, às mulheres, e diversas outras "minorias" - historicamente foi transmitida pelos nossos instrumentos e nossos conhecimentos, e é aí que se identifica outro aspecto do discurso do preconceito e da intolerância na ideologia da hipocrisia, pois o discurso preconceituoso pode tomar a forma, ou a "máscara" de um "discurso científico", que procure validar de forma disfarçada as incoerências do pensamento preconceituoso.
O filósofo Michel Foucault afirmou que isso ocorre quando a ciência é alienada da sua função esclarecedora, e é apropriada como "um instrumento de fetiche social" para justificar articulações de poder e dominação sobre os grupos segregados na nossa sociedade. Ou seja, a supervalorização que se dá ao saber científico (daí a sua conotação de "fetiche social"), muitas vezes, foi historicamente manipulada de forma a legitimar, explicar e justificar teorias de fundo preconceituoso, e algumas vezes isso ocorre mesmo nos dias atuais. Nós devemos estar sempre muito atentos, e com muito cuidado para não nos deixarmos enganar por esse tipo de manipulação. O problema costuma ser a sutileza com que isso é feito. O discurso preconceituoso é um discurso de contradições desencontradas. O indivíduo afirma “Eu não sou preconceituoso...” e a sua fala seguinte é “... Mas, a homossexualidade é uma doença”. Ou ainda, o indivíduo afirma de um lado “que somos todos iguais como irmãos”, porém logo em seguida diz “tal raça ou tal religião é inferior”, por este ou aquele motivo. Na ausência de reflexão, o indivíduo não consegue perceber as nuances do preconceito nessas expressões subtis, que às vezes invadem o corpo de conhecimentos até mesmo das melhores doutrinas ou formas de saber (ainda que esses argumentem a favor da razão e da ciência).
A ética do amor é o conceito que se opõe ao discurso do preconceito e da intolerância. A ética inclui a reflexão sobre as consequências do cultivo do amor, como um valor moral legítimo, capaz de contribuir para um mundo melhor. É o amor o conceito que pode identificar uma unidade da humanidade na diversidade social, pois quando nutrido pela devida reflexão que leva à compreensão da complexidade humana na diversidade, o amor é capaz de abrir espaço para a tolerância tanto de nossas próprias peculiaridades como das particularidades do outro. Talvez quando a humanidade aprender essa pequena e simples lição – que Jesus muito bem soube exemplificar na simplicidade e humildade de suas atitudes – todos os tipos de preconceitos (inclusive os mais subtis e mascarados) serão derrotados.
Referência Bibliográfica:
Bleger, J. In temas de Psicologia: Entrevistas e Grupos. São Paulo, Martins Fontes, 1980.
Kardec, A. (1863). O Evangelho segundo o Espiritismo. São Paulo: Instituto de difusão Espírita, 1978. (tradução de Salvador Getile).
Adalberto Ricardo Pessoa é Psicólogo Clínico, Terapeuta Holístico, Analista Junguiano e Transpessoal formado pela USP
Membro da Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas (ABRAPE), Astrólogo e Apresentador da TV Oráculo.
Postado por : Rosa Maria Rainho Pedro
3º ano GS

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O Sistema Biodança

O “Sistemea Biodança” (do espanhol biodanza, neologismo do grego bio (vida) + dança, literalmente a dança da vida) foi criada nos anos 60 pelo antropólogo e psicólogo chileno Rolando Toro Araneda e encontra-se difundido em diversos países, incluindo países da América Latina, Europa, Canadá, Japão e África do Sul.

Utilizando fundamentos da Biologia, da Antropologia e da Psicologia, a Biodança define-se como um sistema de integração huma, de reeducação afetiva, de renovação orgânica e de reaprendizagem das funções originárias da vida. É um sistma que permite o desenvolvimento humano baseado em vivências integradoras, criadas através de movimentos de dança com músicas selecionadas, e através de situações de encontro não-verbal dentro de um grupo, centradas no olhar e no toque físico.

O Rolando Toro apresenta de forma mais explícita os princípios em que o sistema aseenta, assim,

Integração humana
Em Biodança o processo de integração atua através da estimulação das funções primordiais da conexão com a vida, que permite a cada indivíduo integrar-se a si mesmo, a espécie e ao universo.


Renovação orgânica
A ação sobre a auto regulação orgânica é induzida principalmente mediante a estados especiais de transe que ativam processos de renovação celular e regulação global das funções biológicas, diminuindo assim os fatores de desorganização e stress.

Reeducação afectiva
A capacidade de estabelecer vínculos com outras pessoas.

Reaprendizagem das funções originárias de vida
É aprender a viver a partir dos instintos. O instinto é uma conduta inata , hereditária, que não requer aprendizado e se manifesta mediante estímulos específicos, tendo como objetivo conservar a vida e permitir a sua evolução. A Natureza manifesta-se nos instintos dos seres humanos,  ligar-se à eles significa restabelecer a ligação entre a Natureza e a cultura.

Vivências integradoras
São experiências vividas com grande intensidade no “aqui e agora” que se projectam sobre toda a existência. Na Biodanza as vivências são integradoras por que possuem um efeito harmonizador em si mesmas.

A Biodança desenvolve cinco linhas de potencial que são:

1.    Vitalidade: É a base da Identidade. Liga-se ao instinto de conservação, à vontade de viver, à coragem de realizar coisas, à saúde em geral.
2.   Sexualidade: Liga-se ao instinto sexual de preservação da espécie, capacidade de sentir prazer não só genital, mas prazer em viver; contato com necessidades e desejos.
3.    Criatividade: Liga-se à Auto-Expressão da singularidade de cada pessoa como um ser único, com uma forma própria de pensar / agir / sentir / relacionar-se de maneira livre e autônoma; liga-se ao instinto exploratório e à capacidade de TRANSFORMAR e TRANSFORMAR-SE.
4.    Afetividade: Liga-se ao instinto gregário; à capacidade de AMAR a vida, a natureza, a si, as pessoas… de forma mais específica (diferenciada) e de forma geral (indiferenciada) também; capacidade de confiar / abandonar-se, proteger, cuidar, solidarizar-se…
5.  Transcendência: Liga-se ao instinto religioso, místico, de fusão/ligação com o todo; à capacidade de sentir-se único e ao mesmo tempo, parte de algo maior… sentir-se dentro do universo e tê-lo dentro de si.

Desta forma a Biodança trabalha as potencialidades geradoras de vida, bloqueadas ou adormecidas em cada um, através da gestalt Movimento-Música-Vivência. A música induz o movimento deflagrador de vivência integradora. O movimento corporal revela o movimento existencial. Se mudarmos o movimento do nosso corpo mudamos o movimento da nossa vida.

Apesar de produzir efeitos terapêuticos, a biodança não é uma terapia, um desporto ou uma simples dança. É uma pedagogia da arte de viver, uma poética do reencontro humano e um convite para que se crie uma nova cultura baseada no som da vida. Seus objetivos são a promoção da saúde, da consciência ética e da alegria de viver.

A Biodança destina-se a todas as pessoas que desejem melhorar a sua qualidade de vida, diminuir os níveis de stress provocados pelo dia-a-dia e reencontrar o prazer de viver consigo próprio, com os outros e com a Natureza.

A prática da Biodança tem diversas vantagens como trabalhar a inibição e a timidez, o exercício físico e cardiovascular, oferece momentos de sensibilização musical e proporciona o desenvolvimento mental e emocional. Contudo, também tem riscos, pois não é uma prática parada, logo convém ver como se encontra a saúde do paciente ao nível cardiovascular antes de este começar a praticá-la.

Na Biodança as pessoas dão permissão a si próprias para serem quem são,  aumentando a sua auto-estima, a sua capacidade de ultrapassar obstáculos na vida, de serem mais flexíveis e transparentes. As pessoas percebem que há muitas pessoas como elas à procura de formas de viver mais solidárias e mais afectivas, na procura de um mundo diferente, centrado na inteligência afectiva e na qualidade de vida.


Bibliografia:

Sites consultados em 23/05/2011:

Postado por Valériya Kalyuga

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Arte terapia

   Segundo Selene Leite "A proposta da Psicologia Transpessoal é a de permitir que do homem velho, renasça o homem novo, sábio, que consegue vivenciar a unidade cósmica. É uma ruptura com a dualidade aparente que permite redimensionar o conceito de ego. A auto-imagem é um subproduto do ego e acredita-se que se é a auto-imagem numa identificação alimentada pelo ego como se fosse o eu verdadeiro."

"Num estado usual (ordinário) de consciência nós assimilamos e interpretamos as informações que nos são transmitidas pelos nossos sentidos em unidades de significância. Nós olhamos o mundo ao nosso redor e nossos olhos selecionam certas informações as quais "arquivamos" como um quadro parcial da realidade física. Nossos sentidos não são capazes de apreender o todo processual e dinâmico do nosso modo de existir, no nosso universo interno e externo." (Matos, 1979)


Dalva Fer relata que "O processo expressivo na arte permite o acesso a conteúdos simbólicos do inconsciente, através de uma via não-lógica, concretizando esses simbolos e possibilitando a tomada de consciência de seus significados e funções. Permite haver o distanciamento entre a pessoa e a sua criação (obra), incentivando a auto-observação e compreensão dos seus possiveis significados, junto ao terapeuta e ao grupo."

"Na arteterapia, o terapeuta estará sempre atento à presença e ao comportamento (verbal ou não-verbal) do cliente, focalizando mais o como do que o porquê, ou seja, mais a qualidade da experiência descrita do que as explicações causais, e tanto o conteúdo como a forma como esse conteúdo é comunicado (estrutura das frases, tom e ritmo da voz, gestos, olhar, etc.)." (Gehringer, 2005)

Tal conceito é acentuado por Ivan Maia ao dizer que "As imagens oníricas e artísticas revelam mais quando emergem os sentimentos do conteúdo latente e não do conteúdo manifesto. Há mais verdade num lapso, num descuido do que numa acção lógica, planejada."

"Atenção deve sempre ser dada aos movimentos, sentimentos, padrões de pensamentos, qualidade de contactos (com o terapeuta, consigo próprio, com o mundo, com os outros, com o próprio trabalho) que afloram durante a confecção do trabalho, bem como ao modo como materiais, cores e formas são escolhidos e trabalhados. Em outras palavras, deve-se dar atenção à qualidade da experiência, a quando o processo de contacto e expressão flui de maneira contínua e energizada e a quando se torna emperrado, desvitalizado ou interrompido. E tudo isso em cada etapa do processo: antes, durante e depois da actividade de artetearapia desenvolvida." (Gehringer, 2005)


   La Sala Bata afirma que "a evolução não é outra coisa senão uma lenta e gradual transformação da energia em consciência (...) energia e consciência são a mesma coisa, mas que uma exprime o aspecto vital da realidade, e a outra o aspecto consciência, desperta pouco a pouco. A energia é consciência em estado potencial.

É a atenção, na verdade, que nos torna conscientes de um determinado facto. Ela foi comparada a um feixe de luz que podemos orientar em qualquer direcção sendo tanto mais intensa quanto maior for sua concentração, podendo ser ainda circunscrita, tal como a luz de uma lâmpada aparada por um quebra-luz ilumina uma determinada área enquanto todo o resto permanece na penumbra."

   Concluindo, "A actividade artística activa o sistema sensório-motor, e é por natureza energizante. Considerando o ser humano do ponto de vista holístico e sistêmico, podemos inferir que à medida que o sensório-motor é activado, a emoção, a percepção, a imaginação e a cognição serão mutuamente coactivadas. A actividade artística e imagética promove uma mobilização de energia que traz à tona a carga de emoção ligada ao que esteja sendo relevante para a pessoa naquele momento, mobilizando e potencializando também a sensibilidade e a intuição, o que propicia à pessoa sintonizar níveis mais intuitivos, sensiveis e mágicos de funcionamento, e amplia a abertura para o contacto consigo mesmo e com o mundo." (Gehringer, 2005)

BIBLIOGRAFIA:
Gehringer, M. (2005), Arteterapia - um caminho transpessoal, Campinas
Maia, I. (2000), Arte-terapia - iconologia da perversão imagens da melancolia do desejo, Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP
Fér, D. (2009), A pintura como terapia, Salvador, Instituto Superior de Ciências da Saúde
La Sala Bata, A. M., Medicina psico-espiritual, São Paulo, Editora Pensamento
Matos, L. (1979), Psicologia transpessoal: explorando os vários estados de consciência, Boston - USA, V Congresso Internacional de Psicologia Transpessoal
Leite S. (2008), O que é a psicologia transpessoal, Belo Horizonte, Pontíficia Universidade Católica de Minas Gerais - Instituto de Psicologia

Postado por Sandro Coelho