sexta-feira, 20 de maio de 2011

TERAPIA DE GRUPO NA TERCEIRA IDADE EM PORTADORES DE DIABETES E HIPERTENSÃO

O presente estudo de caso é o trabalho de conclusão do curso de formação em Terapia transpessoal. Traz como objectivo discorrer sobre a teoria e prática da Psicoterapia de grupo na terceira idade em pacientes diagnosticados com diabetes e hipertensão.
Palavras-chaves: Psicoterapia, Terceira Idade, Psicoterapia de Grupo, Estudo
De Caso.
PSICOTERAPIA DE GRUPO
Agrupar-se é uma característica intrínseca da raça humana. Em a toda história da humanidade podemos observar que os seres humanos nascem, crescem e morrem inseridos em grupos sociais. Nesse ciclo de vida, atravessam em grupo experiências das mais diversas formas, como alegria, tristeza, saúde e doença. As sociedades dependem do funcionamento eficiente desses grupos para proporcionar o equilíbrio psíquico, social e material e espiritual aos seus membros. Em grupo é possível desenvolver habilidades pessoais e interpessoais, através do desempenho de papéis designados pela cultura (BECHELLI, 2005).
Nos dias de hoje, existem muitos estudos em diversas áreas do saber, a exemplo da antropologia, sociologia, psicologia e medicina, sobre o papel do grupo na sociedade. No que se refere a esse estudo de caso, o contexto da saúde mental, uma forma muito difundida da dinâmica de grupo é a psicoterapia.
Essa modalidade de atendimento terapêutico alcançou nas últimas décadas uma expansão muito grande (BECHELLI, 2005).

UM POUCO DA HISTÓRIA
Diferentemente do que se sabe sobre o início da psicoterapia individual, que remete a nomes como Paul-Charles Dubois, Pierre Janet, Sigmund Freud, Alfred Adler e Carl Jung, a psicoterapia de grupo tem uma origem menos precisa. Entretanto, a literatura americana atribui a Joseph H. Pratt a criação dessa forma de terapia. Pratt começou em Julho de 1905, no Massachussetts General Hospital (Boston), um programa de assistência aos doentes de tuberculose que não podiam arcar com os custos de internamento. Promoviam encontros semanais com grupos de 15 a 25 membros, com o intento de estabelecer maior contacto com os pacientes. Nessas sessões, Pratt ultrapassava o conceito de cuidados clínicos, orientando os pacientes com atitudes positivas. O acto dos pacientes compartilharem as suas condições com outros que sofriam do mesmo mal, contribuía para a melhoria dos mesmos (BECHELLI, 2004). No decorrer dos anos, o modelo de Pratt foi adoptado em diversas localidades dos Estados Unidos da América. Esse tipo de terapia estendeu-se para pacientes com doenças mentais (PINNEY, 1978, apud BECHELLI, 2004). As reuniões eram utilizadas para transmitir instruções e conselhos, além de oferecer apoio a grupos de pacientes que apresentavam problemas, sintomas e doenças semelhantes (BLOCH, 1985 & YALOM, 1995, apud BECHELLI, 2004).
Já na década de 1930, o psicólogo alemão Kurt Lewin, fundou o Centro de Pesquisa para Dinâmicas de Grupo, na Universidade de Michigan. Ele desenvolveu estudos experimentais sobre o relacionamento humano e tornou-se um dos pioneiros no desenvolvimento desta área (LEWIN, 1947, apud BECHELLI, 2004).
Mas foi após a segunda guerra mundial que esse tipo de terapia ganhou força. Isso ocorreu devido à grande mudança social da época e seus problemas emocionais decorrentes. Até então, era praxe recorrer a um conselheiro espiritual para resolver questões pessoais, como um padre ou um rabino. Concomitantemente, na década de 1940, outros nomes surgiram para contribuir com o avanço da psicoterapia em grupo. Dentre eles, podemos citar Wolf, que aplicava técnicas da psicanálise de Freud, utilizando métodos de livre associação, análise de sonhos e transferência.
Entretanto, foi a partir da década de 1950 que a psicoterapia em grupo entrou numa fase de expansão, consolidação e amadurecimento, ultrapassando as fronteiras dos EUA e surgindo muitos outros teóricos sobre o assunto: A psicoterapia de grupo desenvolveu-se nos Estados Unidos da América do Norte, mas as sementes germinaram na Europa. Basta observar a procedência de seus pioneiros: Moreno é originário da Romênia; Wender, Lituânia; Slavson, Rússia; Lewin, Alemanha; Schilder e Dreikurs, Áustria. Quase todos passaram, nesse período, por Viena - centro, na ocasião, do desenvolvimento da psicoterapia e da psicanálise. O colapso dos círculos culturais europeus durante e entre as duas guerras mundiais, assim como a influência da Revolução Russa, levaram à imigração de muitas ideias (MORENO,1974 apud BECHELLI, 2004, p. 06).
Nos últimos 30 anos, diversas técnicas surgiram nesta modalidade de tratamento e tem sido desenvolvido atendimento de populações e condições de enfermidades cada vez mais específicas. Dentre elas estão o TOC (transtorno obsessivo compulsivo), transtorno de stress pós-traumático, fobias, abuso sexual, depressão pós-parto, RTC (BECHELLI, 2004).

ASPECTOS DA PSICOTERAPIA EM GRUPO
Efeitos favoráveis são observados em período relativamente curto (nos primeiros seis meses): cerca de 50% dos casos em acompanhamento ambulatorial apresenta melhora. Isto não quer dizer que tenham alcançado o máximo de benefício do tratamento (BECHELLI, 2002).
A psicoterapia de grupo favorece muito o trabalho do paciente como agente da sua própria mudança. Isso ocorre, por exemplo, no âmbito dos temas abordados que são geralmente da competência dos integrantes do grupo, trazendo-os à responsabilidade do processo. Podemos colocar também o compartilhar como forma de crescimento. O paciente percebendo a dor do outro, e que existem outras pessoas que também passam pelas mesmas questões, tende a sair de um papel de vítima e a encontrar forças para mudar de postura. Outra coisa a ser destacada nesse processo é o papel do terapeuta. A principal diferença para a terapia individual é que o terapeuta sai do papel de suposto saber proposto pela psicanálise e se torna um membro do grupo. Outra situação observada, e que exige habilidade por parte do terapeuta, é a do monopolizador compulsivo, que dificulta a interacção com o grupo, prejudica a coesão e o desenvolvimento da psicoterapia, podendo desencadear hostilidade por parte dos demais, e possível processo de contágio, ou seja, todos se rebelando para expulsá-lo caso não venha modificar-se, na tentativa de preservar o grupo do risco de uma ruptura. É de considerar que, nesta condição, aquele que não consegue exteriorizar os sentimentos pertinentes e suportar as intervenções compulsivas do colega acaba desenvolvendo a propensão para abandonar o tratamento (BECHELLI, 2005, p.04

PSICOTERAPIA NA TERCEIRA IDADE
Nas últimas décadas, a população com mais de 65 anos de idade aumentou de forma exponencial, dando origem a novas investigações e intervenções científicas. No que diz respeito à área de cuidados de saúde, os psicoterapeutas clínicos depararam-se com uma nova perspectiva. Hoje é consensual a importância de uma equipa multidisciplinar para trabalhar nas unidades de geriatria dos hospitais gerais e dos postos de saúde especializados (LIMA, 2004, apud REBELO, 2007).
Sobretudo no que tange aos casos que acompanham doenças crónicas na terceira idade, como diabetes e hipertensão, a medicina não consegue sozinha abranger todas as suas dimensões (psicológica e emocional). Isso ocorre, pois existe a necessidade de se restabelecer o equilíbrio do paciente, que vai além de dietas e exercícios físicos (GEED, 2000, apud MARCELINO, 2005). Portanto, a psicoterapia geriátrica detém em si aspectos específicos que devem ser observados, como as perdas físicas, psíquicas e sociais. Entre elas, segundo Madureira (2008), podemos apontar:
• Perdas físicas: o adulto de idade avançada vai se dando conta da decadência física. Algumas características geralmente notadas são a perda da resistência cardiorrespiratória, da destreza, do equilíbrio, da força muscular e da flexibilidade, redução da capacidade sexual, diminuição das acuidades auditivas e visuais, além da perda estética.
• Perdas psíquicas: o paciente percebe aos poucos o aparecimento de falhas da memória, menor capacidade de atenção e concentrações, que são percebidas como o começo da decadência. Isto provoca queda da auto-estima que se combina com os sentimentos agressivos, de revolta contra a própria condição. Nesse estado, é frequente a tentativa de compensar a perda de autoridade familiar e social através de chantagens sentimentais. Essas chantagens tentam restituir a autoridade perdida, mas acabam causando o efeito contrário, produzindo rejeição e afastamento. Os mais jovens, para preservar o direito de conduzir as próprias vidas, vão gradativamente se afastando da pessoa mais velha. Essas perdas tendem a provocar quadros de depressão com sintomas ansiosos. Há um crescimento também das preocupações sobre a saúde, fantasias a respeito de doenças, do abandono, da dependência e da morte;
• Perdas sociais: o afastamento da profissão e a perda da posição de líder na família provocam um grande vazio e o fim de importantes gratificações psicológicas, como as manifestações de respeito, admiração e estima, às quais a pessoa se acostumou durante a vida.
Todos esses aspectos podem levar o paciente a um círculo vicioso de debilidade física, psicológica e emocional. Sem saber o que fazer e como se expressar na sua nova condição, o paciente tende a deprimir-se com a auto degeneração e a adoecer cada vez mais:
A incapacidade de comunicar com palavras os seus pensamentos faz com que essa pessoa “fale” com a “linguagem dos órgãos”, ou seja, o adoecer de determinado órgão é a forma inconsciente do indivíduo proclamar seu sofrimento, por não conseguir fazê-lo de outra forma... (Silva, 1994, p. 87)
Assim, a psicoterapia para a idade adulta avançada foca principalmente na fortificação de atitudes positivas e proactivas, substituindo a tendência depressiva desse público (MADUREIRA, 2008).


Postado por: Rosa Maria Rainho Pedro
3º Ano de GS

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